Designer brasileiro cria 1ª prótese de casco de jabuti do mundo

A primeira prótese de casco de jabuti no mundo, impressa em 3D, foi feita por um brasileiro de Sinop, no Mato Grosso. O designer Cícero Moraes ainda entrou para o Guinness Book 2022 pelo feito.
O jabuti que recebeu a nova proteção ficou gravemente ferido em um incêndio florestal em Brasília. As partes maiores do casco levaram cerca de 50 horas para serem impressas e as menores de 28 a 35 horas, segundo Cícero.
O designer conta que não acreditou no reconhecimento do Guinness e, inicialmente, achou que fosse uma pegadinha. “Quando criei o casco não esperava isso. Estava preocupado em saber se a prótese iria funcionar”, disse.
Acidente
O jabuti que recebeu o casco ficou muito ferido em um incêndio florestal, que atingiu Brasília em 2015.
Antes de ser encontrado pelo grupo de voluntários “Animal Avengers”, o jabuti sobreviveu a duas crises de pneumonia e 45 dias sem comer.
Como estava sem o casco, o animal não conseguia ficar muito tempo no sol e ficava exposto a ataques de outros animais e a espinhos encontrados nas matas.
Segundo Cícero, quando o animal chegou na clínica, tinha larvas de insetos na região onde o casco foi destruído. Enquanto recebia o tratamento em Brasília, o designer preparava o novo casco em Mato Grosso.
O jabuti foi batizado de Fred, por parecer com o Fred Krueger do filme de terror ‘A Hora do Pesadelo’. Tempos depois, descobriram que o jabuti era a jabuti e passaram a chamar de ‘A Fred’.
Reconstrução do casco
Cícero conta que toda a reconstrução foi feita baseada em fotos do animal. “Solicitei várias fotos dela e de um jabuti de estimação de um colega de Sinop para fazer o parâmetro. Depois, joguei tudo no computador e fui reconstruindo a volumetria”, explicou.
Ao todo, o casco levou um mês para ficar pronto. Segundo o designer, o período foi repleto de desafios. “O mais difícil foi dividir essa próstese em quatro partes. Nunca tínhamos feito isso e não podíamos errar. A impressão 3D foi um processo extremamente complexo”, contou.
A colocação do casco foi feita através de cirurgia, realizada pelos veterinários Roberto Fecchio, Rodrigo Rabello e Matheus Rabello, e pelo cirurgião dentista Paulo Miamoto.
“Assim que a jabuti voltou da anestesia, o primeiro movimento dela foi se esconder no casco e essa foi uma prova concreta de que o projeto deu certo. Todos ficaram muito contentes”, disse.
Em 2016, um engenheiro fez uma pintura realista no casco para completar o projeto e, desde então, o animal vive em um espaço reservado na casa do veterinário que fez os primeiros socorros.
Com informações de Folha Max

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