Aos 83, professora tem negócio de doces e salgados: “não ficar parada”

991
A professora Lina tem um negócio de doces e salgados aos 83 anos e não quer ficar parada - Fotos: arquivo pessoal
A professora Lina tem um negócio de doces e salgados aos 83 anos e não quer ficar parada - Fotos: arquivo pessoal

A professora aposentada Angelina Orrico, mais conhecida como Lina Orrico, tem 83 anos e trabalha fazendo doces e salgados com muita dedicação, mesmo com a idade que tem.

Com a experiência que a maturidade lhe trouxe, ela deu início a um novo negócio em uma idade que, para muitos, é tempo de ócio – mas não para essa caprichosa vovó.

“Minha neta perguntou, ‘minha vó, a senhora com 83 anos… não tá na hora de descansar, não?’. Eu disse: ‘não… se eu gosto, se eu sei fazer, se eu me sinto bem, por que não?’. Fico feliz! Eu só fico triste quando olho minha agenda e vejo que tem pouca encomenda na semana”, contou dona Lina.

Não consegue ficar parada

Natural de Jitaúna, município baiano localizado a 383 km da capital Salvador, Lina se aposentou aos 28 anos para cuidar do marido enfermo. Na mocidade, ela se dedicou ao lar mas, com o passar dos anos, sentiu que precisava dar um sentido maior à sua vida.

Atualmente morando em Salvador, na Bahia, dona Lina tem tanto entusiasmo por viver que não consegue ficar parada. Ela se declara apaixonada pela Gastronomia e é inspiração para muitos jovens.

O início do sonho

Aos 60 anos, a professora aposentada foi convidada para se associar a uma amiga para trabalhar fazendo bolos, doces e salgados sob encomenda. Dores de coluna? Que nada! Cansaço nas pernas? Nem pensar! Ela aceitou com atrevimento a proposta e, desde então, trabalha dia e noite por puro prazer.

Para ela, o ofício é uma forma de prazer, que une seu bom gosto por decoração e a assertividade no preparo das receitas.

“Faço porque acho bonito, além de gostoso. Me encanta! Não tenho preguiça. Se for preciso, trabalho de noite, se tiver que refazer alguma coisa, refaço quantas vezes forem necessárias pra ficar tudo perfeito”, afirma com alegria.

Dedicação aos estudos

Formada pela Escola Normal, de Jequié, na década de 60, Lina Orrico prestou vestibular aos 32 anos para Educação para o Lar, curso oferecido na sua época como formação escolar técnica instituída pela Lei 5.692.

Assim, seu curso possibilitou o aprendizado em nutrição, decoração e algumas técnicas que lhe são úteis até hoje.

Desde então, ela se matriculou em inúmeros cursos de decoração com frutas, flores e legumes, de mesa de frios, etc.

“Eu ficava lendo jornal dia de domingo pra ver a programação de cursos, telefonava e me matriculava pra fazer. Fiz tanto curso, de salgado, de docinho, de torta… o dinheiro que eu ganhava reinvestia em mais cursos. Ia, aprendia e voltava cada vez mais encantada”, relembra.

Sabedoria de avó

Essa simpática aposentada, que chega a preocupar a família com sua teimosia em continuar fazendo doces, acredita que a idade não é desculpa para ninguém ficar em casa sem ocupação.

“Eu acho que todo mundo deveria entender que aposentadoria não é motivo pra ninguém ficar dentro de casa cansado porque trabalhou 30 anos. Se você adoeceu e não tá bem, vá descansar. Mas se você tem saúde e vontade de fazer, faça! É um benefício pra você!”, incentiva.

A atitude e força de vontade de Lina não ficam somente nas palavras. Ela se disponibilizou para dar entrevista via telefone pela manhã, mas quando seu telefone tocou, ela estava na rua comprando os itens para fazer uma encomenda que havia chegado de surpresa.

À tarde, quando conseguiu parar para contar sua história, ela já havia cumprido mais tarefas do que qualquer jovem.

“Hoje de manhã eu fui pra Ceasa fazer compras, depois ao supermercado comprar o que não tinha na Ceasa, voltei pra casa, entreguei as encomendas de uma moça e fiz um vinagrete de lombinho pra uma cliente que pediu de última hora”, disse dona Lina com entusiasmo de quem sabe apreciar o sabor de ter saúde e uma vida longa.

A professora Lina Orrico, com as filhas e a neta - Foto: arquivo pessoal
A professora Lina Orrico, com as filhas e a neta – Foto: arquivo pessoal

Com informações da Agência Educa Mais Brasil