Ex-gari, advogada entra para Comissão de Direitos Humanos da OAB

Recém formada, a ex-gari Ketlly Cristina da Silva, de 25 anos, deu mais um passo importante na carreira dela de advogada. Agora ela faz parte da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT).
Publicamos a trajetória da Ketlly em uma matéria aqui no Só Notícia Boa, quando ela comemorou a formatura. Para quem não lembra, a advogada pedalava 10 km todos os dias, entre a casa, o trabalho e a faculdade. E com muito esforço e dedicação, ela conseguiu se formar!
O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, Flávio Ferreira, que fez o convite para Ketlly, entende que com a experiência de vida que tem, ela poderá colaborar e muito com os serviços prestados pela OAB-MT à sociedade.
Dificuldades
Ketlly sempre teve uma vida repleta de dificuldades. Quando ela tinha 4 anos, o pai morreu no presídio. A mãe, que foi faxineira a vida inteira, ficou sozinha e conseguiu criar os filhos, sem respaldo do estado.
Foi inspirada pelas dificuldades que passou, que Ketlly começou a sonhar com uma carreira de advogada, para lutar pelos direitos de quem mais precisa.
Faculdade
Ela conseguiu ingressar na faculdade, mas se viu sem dinheiro para pagar o transporte. Então, todas as noites, Ketlly pedalava 10 km, entre ida e volta para casa.
“Trabalhava e estudava. Não tinha dinheiro para transporte, então ia de bicicleta para faculdade. Não tinha dinheiro para o lanche, nem para material didático, mas ia me virando, não foi fácil”, relatou Ketlly, que agora se prepara para o Exame da Ordem.
Comissão de Direitos Humanos
A chance de ingressar na Comissão de Diretos Humanos da OAB-MT foi uma grande oportunidade para a ex-gari.
Agora, ela afirma que poderá ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes não têm informação. “A informação mudou minha vida”, relata.
O convite chegou após ela ser notícia na TV Centro América, de Cuiabá. Ketlly também conta que recebeu outras ajudas importantes.
“Pessoas manifestaram o desejo de me ajudar com livros, como o Vade Mecum. Eu não tinha dinheiro para pagar a prova da OAB, e uma outra pessoa que também está estudando para a prova pagou a taxa de inscrição para mim e me ajudou com livros. Também recebi ajuda para pagar parte do financiamento da faculdade”, conta.
A bacharel é casada, mãe do Isaque, de 10 meses, que é sua grande inspiração.
O marido de Ketlly, que trabalha como repositor em um supermercado, também está animado para fazer faculdade, mas ainda não escolheu o curso.
Com informações de Mato Grosso Mais

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