Idosa enfrenta preconceito e se forma em pedagogia aos 76 anos

Aos 76 anos, mãe de 11, avó de 19 e bisavó de dois, uma idosa realizou um sonho antigo: se formar em pedagogia. Ela enfrentou o preconceito e se tornou professora em agosto deste ano em Cipó, na Bahia.
A mais nova professora deixou os estudos, ainda muito jovem, para se casar. Para driblar a resistência do marido, o agricultor Antônio Xandu, que não concordava em ver a esposa na universidade, a dona Maria Clara Santana contou que deixava tudo pronto, café, casa arrumada, para não ter problemas.
Ela inclusive lutou pelos estudos das filhas, já que o marido também era contra. “É que na minha época era diferente. Entrei na escola com uns 8 anos e era roça. Não tinha carro, não tinha professora direito, então nem sempre tinha aula. Com o tempo ele foi se acostumando. Mas foi um sofrimento para mim”, relembra.
Jornada nada fácil até a formatura
Dona Maria se afastou da sala de aula, mas o sonho de concluir os estudos nunca se afastou dela.
Aos 40 anos conseguiu voltar às salas de aulas por meio do EJA, programa municipal Educação de Jovens e Adultos e concluiu o primário.
Persistente, ela foi matricular o filho e aproveitou o momento para fazer a própria matrícula. Apesar do filho ter abandonado a caminhada, dona Maria não desistiu. Aos 50 anos ela concluía o “ginásio”!
Logo em seguida foi cursar o magistério, que é o curso de nível médio para formar professores de educação infantil. Logo depois, ela começou a trabalhar.
“Era só para dar banho em criança, trocar fralda, pentear cabelo. E eu bati o pé que queria uma sala de aula e consegui. Me deram 30 alunos”, diz.
A faculdade
Após sete anos como professora de educação infantil, dona Maria se afastou com uma mudança na administração da escola. Mas ao saber que chegaria uma universidade na cidade, ela não pensou duas vezes e contou com ajuda de uma colega e da filha para se matricular.
Por quatro anos, Dona Maria ficou numa rotina puxada: de dia cuidava da casa e do marido, que passou a contar com a ajuda de uma cadeira de rodas, e de noite, ia à faculdade.
Infelizmente, seu marido acabou falecendo, mas com apoio e persistência, ela enfrentou a dor e foi até o fim para realizar seu sonho.
“Quero trabalhar no ano que vem, mas só com ensino presencial. E se tiver pós-graduação, eu ainda vou lá!”, avisou!
Que garra… e que orgulho dona Maria!
Com informações de O Povo

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