Hospital usa pele de tilápia para tratar doença rara em mulheres

O uso medicinal da pele de tilápia está cada dia mais abrangente e tem apresentado ótimos resultados em todos os procedimentos.
Dessa vez, a técnica é utilizada para reconstruir o canal vaginal de mulheres com síndrome de Rokitansky, uma doença rara que provoca alterações na formação do útero e da vagina, que ficam ausentes ou pouco desenvolvidos.
O procedimento foi realizado no Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, tornando a instituição a primeira a aplicar a técnica para esse tratamento.
A cirurgia para reconstrução íntima possui uma média complexidade, segundo a cirurgiã e coordenadora do Setor de Uroginecologia do HC, Marilene Vale C. Monteiro.
“As mulheres com a síndrome de Rokitansky, ou anegesia vaginal, nascem sem o canal vaginal, e os sintomas variam. Se elas não realizarem a cirurgia, não há como a menstruação descer, se a mulher tiver o útero, e elas terão dificuldade em manter relação sexual”, disse.
Pacientes
Duas mulheres foram operadas na semana passada e agora, o HC vai receber outras pacientes de Minas Gerais com o mesmo diagnóstico e em tratamento no SUS, para realizar o procedimento.
“A pele da tilápia contém grande quantidade de colágeno tipo 1, que a torna tão forte e resistente quanto a pele humana.
Além disso, o processo de manufatura da pele de tilápia é rápido e barato”, explica o professor Leonardo Bezerra, médico responsável por pesquisar a técnica ginecológica.
Baixo risco de rejeição
Uma das grandes vantagens do procedimento, segundo o Dr. Leonardo, é que a pele de tilápia tem um baixo risco de rejeição. Ele explica que, por se tratar de um animal aquático, o cruzamento de infecções não existe.
As peles chegam ao bloco cirúrgico esterilizadas, embaladas a vácuo e prontas para o uso, após passarem por processo que engloba o beneficiamento, a limpeza e a extração, sob a coordenação do Núcleo de Processamento e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC.
A técnica, ainda em fase de estudo comparativo pelo Hospital das Clínicas – entre duas abordagens, uma delas utilizando a pele de tilápia –, vem sendo aplicada desde 2017 no Ceará e já beneficiou 25 pacientes em todo o país.
Pesquisa premiada
A pesquisa com pele de tilápia, desenvolvida por cientistas Universidade Federal do Ceará, ganhou três prêmios nacionais em apenas um mês.
As pesquisas premiadas envolvem o uso medicinal da pele do peixe em diversas áreas: para tratar queimaduras, feridas, para cirurgias plásticas e reparadoras e também no uso veterinário, em cães.
Com essas comendas recebidas em novembro, as pesquisas com a pele de tilápia já somam 19 premiações, todas em primeiro lugar. Que orgulho dos nossos cientistas!
Já falamos sobre essas premiações aqui no portal! Confira a matéria completa aqui no Só Notícia Boa!
Com informações de UFMG

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