Câncer de próstata: composto de Ferro pode matar células resistentes

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Por Rinaldo de Oliveira
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O Dr. Chunhong Yan, está usando um processo chamado ferroptose para matar células de câncer de próstata resistentes - Foto: SWNS

Cientistas dos Estados Unidos estão usando grandes quantidades de Ferro para combater o câncer de próstata resistente a medicamentos comuns.

No estudo, a equipe de cientistas da Faculdade de Medicina da Geórgia, EUA, liderada pelo Dr. Chunhong Yan, está usando um processo chamado ferroptose – palavra derivada de ferro + optose, que é a morte celular – para criar um novo tratamento.

“Quando a célula absorve ferro, ela passa por diferentes processos, que geram uma grande quantidade de ROS”, disse o Dr. Yan. “O que estamos tentando fazer é aproveitar esse efeito colateral para tratar o câncer de próstata”, explicou.

Como age

O Ferro – elemento químico importante para os glóbulos vermelhos que transportam oxigênio pelo corpo – produz muitos radicais livres tóxicos, ou espécies reativas de oxigênio (ROS) que danificam o componente gorduroso da membrana celular.

Os lipídios, ou gorduras, são importantes para o armazenamento de energia e para a sinalização celular interna.

Os radicais livres fazem com que eles percam sua flexibilidade e eficiência até que a célula morra, embora o motivo exato não seja claro.

As células do câncer de próstata são excepcionalmente resistentes a essa destruição porque seus lipídios já estão alterados para ter a energia necessária para crescer e se espalhar.

Mas a equipe do Dr. Yan encontrou um gene chamado ATF3 que pode diminuir o limiar de estresse das células do câncer de próstata e torná-las mais vulneráveis ​​a um novo composto de ferro chamado JKE-1674, que induz a ferroptose.

Combinação poderosa

Trabalhando em um prêmio de desenvolvimento de ideias de US$ 1,1 milhão do Departamento de Defesa dos EUA, a equipe também descobriu que a combinação de um medicamento quimioterápico com um dos mecanismos naturais do corpo também pode ajudar a matar células cancerígenas da próstata.

A droga se chama bortezomibe e ajuda a ativar o gene ATF3, enquanto o composto JKE-1674 inibe um processo chamado glutationa peroxidase 4, que separa ferro e radicais livres e permite que as células se reparem.

Dr. Yan disse que os ensaios clínicos mostraram que o bortezomibe não é muito eficaz no tratamento do câncer de próstata por conta própria, mas que quando combinado com o JKE-1674 se torna uma arma poderosa.

Os testes

Os próximos passos são realizar experimentos em camundongos e ver se o câncer de próstata avançado pode ser neutralizado usando ferroptose.

Os cientistas têm um camundongo geneticamente modificado que produz mais ATF3 e eles querem ver se isso torna as células do câncer de próstata mais vulneráveis ​​à ferroptose também.

Dr. Yan quer agora desenvolver uma terapia que possa progredir rapidamente do laboratório para um ensaio clínico e ajudar a combater o que é uma das formas mais comuns de câncer em homens em todo o mundo.

Com informações do GNN