Gaúcho cria ‘Varal do Desempregado’. Roupas e vagas para quem precisa de emprego

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Por Monique de Carvalho
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O Varal do Desempregado tem ajudado pessoas que buscam oportunidade de trabalho em Porto Alegre - Foto: arquivo pessoal

O servidor público gaúcho, Kaká D’Ávila, de 40 anos, teve uma ideia simples e grandiosa a mesmo tempo. Ele criou o “Varal do Desempregado” e tem ajudado a mudar a vida de pessoas que passam pelo centro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em busca de oportunidade de emprego.

“Eu imprimo as vagas em um papel e coloco no varal. Eu coloco também as roupas para quem precisa ir para as entrevistas. Quem está desempregado sabe a dificuldade de ter uma roupa e eu ajudo também nisso”, disse Kaká em entrevista ao Só Notícia Boa.

A ação tem apenas uma semana e Kaká já guarda histórias emocionantes de gente que conseguiu uma vaga e que voltou para agradecer a ajuda. “Isso motiva”, comemora o gaúcho.

Mulher que teve roupas queimadas pelo ex conseguiu emprego

Para ele, uma das histórias mais emocionantes foi de uma mulher, que sofria violência doméstica e graças ao Varal do Desemprego, teve a chance de recomeçar.

“O ex-marido queimou todas as roupas dela. Ela só tinha a roupa do corpo e um chinelo. Um dia, essa mulher passou pelo local, pegou algumas vagas de emprego e uma roupa. Dias depois, ela me mandou uma mensagem pelo WhatsApp contando que tinha conseguido uma das vagas”, comemora Kaká.

“É muito gratificante saber que estou ajudando outras pessoas a terem mais dignidade de uma forma tão simples, que é um varalzinho”, diz.

Uma pessoa que estava desempregada elogiou a ação e disse algo interessante que Kaká também guarda com carinho:

“Não adianta ficarmos “lavando roupa suja”, precisamos é estender esperança”.  Achei aquele trocadilho perfeito”, contou.

A vida castigou, mas deu força

A inspiração para criar o varal do desempregado veio dele mesmo. Kaká também esteve sem trabalho por algum tempo e a falta de condições financeiras o levou para as ruas. Hoje, ele usa a dor que sentiu na época como combustível para motivar quem está recomeçando.

“Eu fico muito feliz. Que possa reverberar e ajudar mais pessoas a terem esperança e também motivar mais pessoas a fazerem coisas boas pelo próximo”, disse Kaká ao Só Notícia Boa.

A inspiração para criar o varal

Ele lembra um momento difícil da vida,  justamente o que mais o motivou a criar o Varal do Desempregado hoje.

“Eu tive um filho que nasceu prematuro e faleceu em um domingo de Páscoa. Na segunda-feira, a empresa que eu trabalhava me chamou e eu pensei que era para dar os pêsames, mas na verdade, era para me demitir”, lembra Kaká.

O servidor publicou contou que os ex-gestores dele disseram que naquele momento não era bom tê-lo na empresa, pois a perda de um filho iria desestruturá-lo e tirar o foco dele do trabalho.

“Eu ouvi que eu seria um peso para eles. Que a empresa precisava faturar, bater metas. Ali eu perdi um filho, um emprego e perdi a Páscoa, porque todos os anos eu lembro disso”, lamenta.

Ele conta que entrou em depressão após essa situação e a falta de oportunidades fazia com que ele perdesse também a vontade de viver. Foi nessa época que Kaká foi parar nas ruas.

“Eu perdi tudo. Foram dois anos muito difíceis, mas depois eu superei e pensei em fazer ações para ajudar o próximo”, explica.

Motivando outras pessoas

Kaká conta que já fazia ações para ajudar outras pessoas, mas foi com o varal que ele viu a transformação que poderia causar na vida do próximo.

“Eu prometi que assim que eu me reerguesse eu ajudaria pessoas que estariam passado pela questão do desemprego ou alguma outra dificuldade na vida”, disse.

Hoje, ele se orgulha da própria trajetória e conta que quer ter força para ajudar sempre mais!

São esses pequenos gestos que fazem toda diferença!

Kaká ajuda pessoas que passam pelo centro de Porto Alegre - Foto: arquivo pessoal

Kaká ajuda pessoas que passam pelo centro de Porto Alegre – Foto: arquivo pessoal

Ele conta que também já viveu o desemprego e sabe a dificuldade de quem busca trabalho - Foto: arquivo pessoal

Ele conta que também já viveu o desemprego e sabe a dificuldade de quem busca trabalho – Foto: arquivo pessoal