Mulher agredida liga para Samu, pede pizza e pedido socorro em código é entendido!

O pedido de socorro em código está dando certo no Brasil! Uma mulher ligou para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Araguaína, em Tocantins, com um pedido inusitado. “A pizza que eu pedi vai demorar muito?”. A atendente percebeu agonia e medo na voz dela, que sofria violência doméstica.
A profissional estendeu a conversa, pegou o endereço, pediu ponto de referência e chamou a Polícia Militar para prestar ajuda.
Os policiais acharam o endereço, salvaram a mulher, que estava machucada após muitas agressões e o agressor foi preso em flagrante! Ele era companheiro da vítima.
Atendimento
Habituada a atender os mais diferentes chamados, a técnica poderia ter descartado este telefonema, do último dia 19 de madrugada, considerando que parecia um trote, mas ela disse percebido algo estranho no ar e resolveu dar continuidade.
“Eu desconfiei e perguntei se ela precisava de ajuda. Ela disse que sim. Pedi o endereço e um ponto de referência, e disse que enviaria a pizza. Na mesma hora, entrei em contato com a Polícia Militar”, relatou a atendente.
De acordo com as informações compartilhadas pela PM com o SAMU, quando chegou no endereço informado, a polícia encontrou a mulher com várias marcas de agressões, configurando o crime de violência doméstica.
O companheiro, principal suspeito das agressões, foi detido em flagrante. “Nossa missão é salvar vidas, então eu fico muito feliz em ter ajudado”, disse a técnica que fez o atendimento inicial.
A conversa durante o telefonema
O diálogo entre a atendente e a mulher em perigo foi rápido, mas tempo o suficiente para ela ser socorrida e o suspeito detido. Veja a seguir:
Samu: Samu, boa noite!
Vítima: A pizza que eu pedi aqui vai demorar muito?
Samu: Aqui é do Samu, senhora.
Vítima: Sim, você sabe me dizer quantos minutos vai demorar para chegar porque estou agoniada. Meus filhos estão com fome, minhas duas crianças pequenas estão com fome. Vai demorar muito?
Samu: Você quer que mande a polícia até aí?
Vítima: Sim, quero sim. O mais rápido possível porque estou esperando faz horas e meus filhos estão agoniados aqui.
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Orientando a quem ajuda
O diretor administrativo do Samu, Alberto Gomes, afirmou que foram intensificadas os cursos de capacitações e atualizações com os funcionários para aperfeiçoar o atendimento ao público.
“Não é algo convencional, mas os casos começam a ficar cada vez mais comuns no país, por isso vamos preparar nossa equipe para ficar cada vez mais sensível para chamados dessa natureza”, disse.
A função do técnico auxiliar, que fez o atendimento à mulher que “pediu a pizza” é de regulação médica, chamado de Tarm (Técnico Auxiliar de Regulação Médico) no Samu, coletando os dados iniciais, como o motivo do chamado e endereço, para depois repassar para o médico regulador.
Porém, no caso da profissional que atendeu à senhora em perigo, além foi muito além. “Quanto mais tempo a vítima fica no telefone, maior é a chance de o agressor perceber e interceptar a ligação”, afirmou Alberto Gomes.
Gestos
Filmes, vídeos e muitas instruções transmitem os gestos internacionais de pedidos de socorro para denunciar uma situação de agressão ou abuso contra a mulher. Por exemplo, abrir a palma da mão, colocar o polegar abaixo dos outros dedos e fechar a mão, escondendo o polegar.
Outra opção é a Campanha Sinal Vermelho criada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que consiste em fazer um sinal vermelho na palma da mão e pedir ajuda em órgãos públicos, agências bancárias e farmácias, por exemplo.
Os pedidos de socorro podem ser feitos via Polícia Militar no número 190 e na Central de Atendimento à Mulher no 180.
De acordo com a pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” , do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2022, 18,6 milhões de mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, seja física, psicológica ou sexual.
Em média, as mulheres relataram que sofreram quatro agressões ao longo de um ano, mas entre as divorciadas o número foi maior, nove vezes. Quando as agressões chegam ao extremo e se tornam feminicídios, os números também são alarmantes.
Com informações da Gazeta do Cerrado e R7.

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