Japão usa fertilizante de fezes humanas que é barato, mas o cheiro… Vídeo

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Por Renata Giraldi
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O fertilizante de fezes humanas, de baixo custo, não só gerou polêmica no país, como atraiu turistas para as áreas agrícolas. - Foto: Pixabay

O Japão resgata uma alternativa, utilizada no passado, para vencer as dificuldades de importação de fertilizantes químicos da Ucrânia. É o uso de fertilizante de fezes humanas, que tem garantido as plantações do país a custo baixo. A utilização está a todo vapor em várias regiões, ultrapassando inclusive a venda dos fertilizantes convencionais.

Os japoneses chamam o recurso de tradição com o nome de “shimogoe” ou “fertilizante do fundo de uma pessoa”. No entanto, a alternativa encontra muitos críticos que afirmam ser um processo caro, embora o valor final seja barato, com odor desagradável e bem trabalhoso na aplicação.

Com as redes de esgoto e estações de tratamento, assim como dos fertilizantes químicos, o costume deixou de ser usado no Japão. Mas as vendas de shimogoe aumentaram 160% nos últimos meses em várias regiões do país.

Incentivos públicos 

O governo do Japão incentiva o ressurgimento da técnica em decorrência com as preocupações com a segurança alimentar desde a invasão da Rússia na Ucrânia, região de onde saem os fertilizantes para o mundo

O Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca espera dobrar o uso de esterco animal e dejetos humanos até 2030, com a meta de que representem 40% de todo o uso de fertilizantes no Japão.

Em Miura, nos arredores de Tóquio, caminhões a vácuo transportando dejetos humanos chegam um após o outro a uma instalação de tratamento.

A água é removida e as bactérias fermentam os sólidos restantes em enormes tanques.

O metano produzido durante o processo é queimado para fornecer água quente e eletricidade à instalação, e o produto final é um pó semelhante ao solo que pode ser espalhado nos campos.

“Este fertilizante é particularmente bom para vegetais folhosos, como repolho”, disse Kenichi Ryose, gerente de instalações do Centro de Biomassa Miura.

Mau cheiro

O mau cheiro é um desafio, segundo o agricultor Nobuyoshi Fujiwara, que administra uma fazenda de alface em Yokosuka, ao norte de Miura.

Ele começou a usar shimogoe no ano passado, “porque queria cortar custos e pelo bem social” da reciclagem de lixo.

“Não podemos usá-lo em campos perto de casas, porque há reclamações sobre o cheiro”, disse.  “Também é preciso espalhar quatro ou cinco vezes o volume que usa com fertilizantes químicos comuns.”

Produção esgotada

Independentemente da polêmica e queixas, o empresário Toshiaki Kato disse que, pela primeira vez desde que começou a produzir o fertilizante em 2010, o produto esgotou.

“Nosso fertilizante é popular porque é barato e está ajudando os agricultores a reduzir custos crescentes”, disse. “Também é bom para o meio ambiente”, afirmou contrariando os críticos.

O fertilizante é produzido por meio de uma combinação de lodo de esgoto tratado de fossas sépticas e dejetos humanos de fossas, o fertilizante sai por 160 ienes (US$ 1,10) o pacote com  15 quilos.

De acordo com os comerciantes, este valor é um décimo do preço dos produtos feitos com matérias-primas importadas.

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Vendas bombando

Na região de Saga, no sudoeste do Japão, as autoridades relatam que as vendas aumentaram de duas a três vezes.

Segundo as autoridades, há até grupos de turistas querendo conhecer o produto para poder aplicar nas áreas onde vivem.

Shimogoe foi um fertilizante essencial na era o pré-moderna do Japão, disse Arata Kobayashi, um especialista em fertilizantes.

De acordo com o especialista, no início do século 18, um milhão de habitantes de Tóquio – então chamada de Edo – “produziam” cerca de 500.000 toneladas de fertilizantes por ano.

“Todos se beneficiaram com o sistema de reciclagem”, disse Kobayashi. “Não criaram um sistema de reciclagem de propósito, foi o resultado de todos em busca do lucro”.

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Com informações da ABSCBN