Mulher trans formada médica pela USP quebra paradigmas após bullying e depressão

Você já teve que esconder seus desejos e sonhos por medo de não ser aceito? Assim foi a infância de Stella Guilhermina Branco Fontanetti, uma mulher trans que quebrou todos os paradigmas ao se formar como médica pela Universidade de São Paulo (USP).
Ela é uma das duas profissionais transgênero formadas na universidade. Sua trajetória é marcada por desafios e superações que vão além da trajetória acadêmica. Histórias cheias de autodescoberta e luta por aceitação.
“Para outras pessoas trans, acho que é uma fresta para onde se pode olhar e ter novas conquistas. É a materialização de um sonho muito antigo. Mas não basta, ainda é muito pouco”, disse Stella.
A infância de Stella
Nascida em Rio Claro, no interior de São Paulo, Stella enfrentou desde a infância uma série de adversidades em sua vida familiar.
Em um ambiente marcado por conflitos entre seus pais, dificuldades financeiras e vícios, seus desejos e identidade de gênero foram reprimidos.
Com um TDAH não diagnosticado, a escola também não soube lidar com suas necessidades, e ela frequentemente era excluída da sala de aula.
Ela recebia muitas punições, apesar de seu desempenho acadêmico destacado.
Escolha da medicina
Ao longo do ensino médio, Stella percebeu sua afinidade com as disciplinas exatas.
Mas foi só durante uma pré-iniciação científica que teve contato com a saúde pública, despertando seu interesse pela medicina.
A busca por aprovação familiar também a motivou a perseguir o sonho de se tornar médica.
“Ouvi de uma amiga da minha mãe que quando eu passasse em medicina eu não seria mais o filho gay, eu seria o filho médico. Isso me dava força para estudar, porque eu acreditei que eu seria abraçada por completo”, disse Stella.
Livre da depressão
Depois de 6 meses de cursinho e após ter tido depressão, Stella optou por estudar Engenharia.
Ela não se identificou muito com o curso, então voltou a estudar para Medicina.
Um ano depois, finalmente entrou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.
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Fase com alguns conflitos
Essa nova etapa marcou o início de uma fase difícil para Stella, onde as questões de gênero se tornaram mais evidentes.
Ela chegou a passar por uma internação psiquiátrica. Com o apoio de professores, amigos e da comunidade, a estudante encontrou forças para seguir em frente.
Stella buscou terapia, tratou seu TDAH de maneira adequada e isso transformou completamente a vida dela.
Realizada na vida
Stella se dedicou intensamente aos estudos, mas também se permitiu viver outros aspectos da vida.
Durante seu último ano de faculdade, ela conseguiu realizar várias conquistas pessoais.
Além de concluir o curso, ela dirigiu um curta-metragem que ela mesma escreveu, criou um sarau, juntou dinheiro para sua prótese e formatura, e até está escrevendo um artigo e um livro que serão publicados em breve.
Ela também está concorrendo a um prêmio internacional voltado a estudantes de medicina com relevância social.
“Nós somos revolucionárias”
Hoje Stella trata da população em situação de rua em hotéis sociais de São Paulo e defende que pessoas trans tenham espaço e oportunidades na sociedade.
“Muitas vezes o que sobra para nós é a prostituição e o tráfico, porque todas as nossas bases são retiradas à força. Essa não pode ser a única possibilidade. Nós somos revolucionárias”, disse.
Ela defende políticas públicas sérias para que outras pessoas como ela tenha êxito na vida.
“Eu tive privilégios que me trouxeram aqui, mas se eu fosse expulsa de casa com 14 anos, como muitos, eu provavelmente não estaria onde estou”, concluiu.
Com informações da Veja.

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