Medicamentos contra HIV podem reduzir risco de Alzheimer, diz nova pesquisa

Um estudo recém divulgado mostrou que medicamentos para HIV são promissores para retardar o declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer. O estudo ainda está em fase inicial, mas já mostrou ótimos avanços.
Os pesquisadores descobriram que medicamentos inibidores da transcriptase reversa (ITRN), que bloqueiam uma enzima essencial para replicação do HIV, podem também estar ligados no impedimento do avanço da doença neurodegenerativa.
Foi o professor Jerold Chun, pesquisador da Sanford Burnham Prebys, na Califórnia, que ao analisar dados de mais de 80 mil indivíduos soropositivos com mais de 60 anos, levantou a hipótese revolucionária.
Estudo em grupos
Chun analisou as taxas de doença de Alzheimer em indivíduos soropositivos, dividindo-os em grupos.
O primeiro era composto de pacientes HIV positivos que fizeram uso de ITRN. Já o segundo tinha pacientes HIV positivo que não tomaram ITRN.
Por último, foram categorizados os pacientes com controle HIV negativo e que não tomaram os medicamentos inibidores da transcriptase reversa.
Posteriormente, os pesquisadores observaram a incidência de novos diagnósticos de Alzheimer em cada um dos grupos listados dentro de um período de quase três anos.
Resultados surpreendentes
O estudo não foi concebido para provar que os inibidores da ITRN podem prevenir a doença neurodegenerativa, mas sim encontrar possíveis ligações entre os dois.
E o grupo atingiu os objetivos.
O grupo que fez uso da terapia ITRN apresentou taxas bem menores de desenvolvimento do Alzheimer.
Além disso, o efeito era ainda mais forte naqueles pacientes que faziam apenas o uso de dos inibidores, sem misturar com outros medicamentos usados contra o HIV.
Os resultados foram publicados na revista Pharmaceuticals.
Estudos futuros
Segundo Jerold, apesar da pesquisa estar apenas no início, há uma possível explicação por trás.
O gene ligado à doença de Alzheimer, também chamado de APP, sofre uma transformação utilizando a mesma enzima que o HIV utiliza para sequestrar as células humanas.
É por isso que os medicamentos inibidores são comuns no “cocktail” de remédios que pessoas soropositivas usam para suprimir o vírus.
Logo, Jerold acredita que os ITRN também possa impedir os processos envolvidos na doença neurodegenerativa cerebral.
“O próximo passo claro para o nosso laboratório é identificar quais versões de ITRN’s estão em ação no cérebro da doença de Alzheimer, para que tratamentos mais direcionados possam ser descobertos”, contou.
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E no Brasil?
O Brasil também tem grandes nomes na área da pesquisa contra o Alzheimer.
João Pedro Ferraria Souza, aluno de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, teve parte de sua pesquisa reconhecida internacionalmente.
O estudante se debruça sobre “a contribuição dos fatores de risco vascular para o desenvolvimento da doença de Alzheimer”.
O estudo ficou em primeiro lugar na modalidade oral de pesquisa clínica na XIII Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer e Desordens Relacionadas e recebeu premiações no evento Spring 2021 ADRD Poster Session, organizado pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
Segundo João, o objetivo do estudo é identificar estratégias para prevenir o avanço da doença.
Com informações de US News e Governo Federal.

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