Humanos escoltam família de patos diariamente para evitar novos atropelamentos

Um grupo de humanos se uniu e transformou o cuidado com uma família de patos selvagens em uma rotina cheia de carinho, união e espírito comunitário. Todas as noites, voluntários acompanham a travessia dos patinhos pelas ruas até um estacionamento onde decidiram dormir, longe do rio onde vivem durante o dia.
O trajeto começa sempre por volta das 20h30. São aproximadamente 20 aves que deixam o rio e seguem, em fila organizada, até o centro da cidade. O destino? Um estacionamento na praça do mercado. Ali, dormem até as 4h30 da manhã seguinte, quando retornam ao habitat natural.
A missão diária começou porque, no passado, quatro patinhos foram atropelados ao atravessar a rua. Desde então, um grupo de 15 voluntários se reveza em turnos para garantir que a travessia noturna aconteça sem riscos — e a história tem encantado a cidade inteira.
Rotina
Ninguém sabe ao certo por que os patos deixaram o rio e passaram a dormir no centro da cidade de Thirsk, no norte da Inglaterra. Alguns acham que as mães procuram um lugar mais seguro, longe dos predadores que rondam a margem do rio. Outros acreditam que o calor dos paralelepípedos do estacionamento ajuda os pequenos a descansar melhor.
Seja qual for o motivo, o comportamento virou rotina e tradição. “É emocionante e adorável acompanhar os patos em sua caminhada”, contou Emma-Jayne Hutchings, uma das voluntárias que ajuda a bloquear o trânsito e vigiar os animais durante a noite.
Segundo ela, os patos parecem saber o caminho de cor. “Eles começam a gritar juntos, como se estivessem chamando os outros para marchar, e seguem em dois batalhões.” Ao chegarem ao destino, os voluntários colocam cones de segurança ao redor deles e fazem vigília até que a cidade fique silenciosa.
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Comunidade envolvida
Durante a semana, a vigília costuma ir até às 23h. Já nos fins de semana, os “guardiões de patos” estendem o cuidado até às 2h30 da manhã, por conta dos bares e do movimento noturno ao redor do estacionamento. Tudo para proteger as aves de qualquer risco.
Para ajudar na missão, os voluntários usam coletes refletivos, ganham xícaras de chá ou café oferecidas por um pub local e se revezam com alegria. “Isso trouxe um espírito de comunidade lindo. Conheci pessoas incríveis e fiz amigos”, contou Emma-Jayne ao GNN.
O grupo também mantém contato constante por meio de uma página no Facebook criada por outra voluntária, Jodie Wood. Foi ela quem organizou os primeiros turnos, depois de ver a tragédia com os patinhos no ano anterior. Desde então, não houve mais nenhuma perda.
Cidade unida
O mais curioso de tudo é que os moradores garantem que não incentivam os patos a deixar o rio. “Eles fazem isso por vontade própria. Nós apenas cuidamos deles enquanto fazem a travessia”, explica Jodie.
Os passeios noturnos dos patos costumam acontecer entre junho e dezembro.
Para os voluntários, o comportamento dos patos pode estar relacionado à presença de predadores no rio, como roedores, gatos ou até um vison (pequeno mamífero selvagem). Ainda assim, ninguém sabe ao certo o motivo dessa escolha.
O que todos concordam é que a iniciativa trouxe mais do que segurança para as aves: ela despertou algo bonito na cidade: “Temos sorte de ter tantos seguidores e tanto apoio. Esses patos nos ensinaram sobre cuidado, paciência e, acima de tudo, empatia”, concluiu Emma.

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