Vaquinha para trans brasileira detida nos EUA arrecada o dobro da meta

Uma corrente de solidariedade surpreendeu ao ultrapassar todas as expectativas. A vaquinha criada para ajudar a trans brasileira detida nos EUA, Alice Correia Barbosa, de 28 anos, arrecadou mais de US$ 41 mil (aproximadamente R$ 223 mil) — mais que o dobro da meta inicial, de US$ 20 mil. Alice foi presa de forma brusca por agentes de imigração no último sábado (23), em Maryland, nos Estados Unidos.
A campanha começou no domingo (24) e, em apenas três dias, já havia recebido mais de 656 doações pela plataforma GoFundMe. O valor será usado para custear a defesa da jovem, que enfrenta um processo migratório, além de cobrir despesas básicas e dar suporte emocional neste momento delicado.
A mobilização tem emocionado amigos e familiares de Alice. O responsável pela vaquinha, AJ Timoteo, disse que a união de desconhecidos está ajudando a “mover montanhas” e mostrar à brasileira que ela não está sozinha.
Quem é Alice
Alice é descrita pelos amigos como uma jovem alegre, cheia de energia e apaixonada pelo vôlei. Filha querida e amiga próxima, Alice é lembrada como “iluminada” e “capaz de transformar qualquer ambiente com alegria”.
Para eles, a arrecadação é também uma forma de reafirmar a dignidade da jovem e garantir que ela receba tratamento justo enquanto enfrenta o processo de imigração.
Por segurança, os amigos optaram por não divulgar todos os detalhes do caso, já que cada movimento pode impactar diretamente no futuro da jovem. O foco, segundo AJ, é proteger Alice e garantir que ela tenha o melhor apoio possível.
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O momento da prisão
Um vídeo feito por uma amiga registrou a ação dos agentes de imigração.
Nas imagens, Alice é retirada do carro de forma brusca, algemada e chega a reclamar de dor. Um dos policiais a tratou no masculino, e a amiga interveio pedindo respeito à identidade de gênero dela.
A acusação apresentada pelos agentes foi de violação migratória, alegando que Alice não teria cumprido o prazo de retorno ao Brasil.
Repercussão no Brasil
O caso gerou forte repercussão no Brasil.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania afirmou estar acompanhando a situação por meio da Ouvidoria Nacional e do Itamaraty, garantindo assistência consular e proteção dos direitos da brasileira.
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) também se manifestou, expressando indignação e preocupação com a prisão.
A entidade enviou ofícios a ministérios e secretarias pedindo providências e informações sobre o local em que Alice está detida.

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