Aspirina pode prevenir novos infartos e não deve ser descontinuada, revela pesquisa brasileira

Um remédio comum, conhecido e acessível pode ser a salvação para milhões de pessoas. A Aspirina pode prevenir novos infartos e os pacientes devem continuar tomando o medicamento após a recuperação. É o que mostra uma pesquisa brasileira sobre o uso do ácido acetilsalicílico (AAS) para quem infartou.
A pesquisa NEO-MINDSET, liderada pelo Hospital Albert Einstein em parceria com o Ministério da Saúde, acompanhou por 12 meses 3.400 pacientes de 50 hospitais brasileiros, com síndromes coronarianas agudas. E chegou à conclusão de que o remédio não deve ser descontinuado por pessoas que sobreviveram ao infarto.
“Essa interrupção abrupta ocorre por causa de um coágulo ou trombo que se forma [no infarto]. O AAS é uma medicação que diminui a chance de formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos e é por isso que ele é tão importante. É o que popularmente as pessoas chamam de medicação que afina o sangue”, explicou Pedro Lemos, diretor do programa de cardiologia e pesquisador do Einstein e autor da publicação.
Dúvidas acabaram
A pesquisa brasileira acabou com dúvidas antigas. Estudos internacionais diziam que, depois de alguns meses, os infartados que passaram por angioplastia com stent deveriam suspender o AAS e trocar por outro, mais moderno, para evitar novos problemas. Mas permanecia incerto se a retirada poderia ser realizada logo após o infarto.
Foi aí que os cientistas do Brasil decidiram fazer o estudo inédito para testar a eficácia do ácido acetilsalicílico (AAS) em pacientes que sofreram infarto.
A pesquisa brasileira constatou que o grupo que continuou usando AS teve menos ocorrências de novos problemas cardiovasculares em comparação ao grupo que não usou o medicamento. Em outras palavras, o uso da aspirina não deve ser interrompido por quem infartou, diz o estudo brasileiro.
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Como proceder
O estudo confirmou que os médicos devem continuar a prescrever o AAS e mais um antiplaquetário para todas as pessoas que tiveram um infarto ou AVC.
Os médicos brasileiros defendem que o protocolo de tratamento atual deve ser mantido, oferecendo uma dupla medicação desde o início.
Eles descobriram que os pacientes que pararam de tomar o AAS tiveram complicações mais sérias.
Casos de infarto no Brasil
O infarto e o AVC ocorrem por causa da interrupção abrupta da passagem de sangue dos vasos sanguíneos, que levam sangue para o cérebro ou para o coração.
O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no país, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
As doenças cardiovasculares, não apenas o infarto, matam um brasileiro a cada um minuto e meio.
E os pesquisadores alertam: apesar de ser seguro e eficaz, o uso do AAS deve ser prescrito pelo médico, informou o R7.

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