Siamesas brasileiras separadas há 23 anos comemoram: uma delas é mãe em GO

Que notícia boa! Há 23 anos, dava certo a cirurgia das siamesas brasileiras separadas em Goiás e agora, já adultas, e uma delas é mãe de um lindo garotinho.
Rafaela é mãe do pequeno Davi Emanuel, de 11 meses, e conta que ficou preocupada quando ficou grávida: “Eu tive medo, por tudo que já vivemos. Mas, graças a Deus, deu tudo certo. Meu filho nasceu saudável e é muito tranquilo. Hoje eu e minha irmã levamos uma vida normal, sem necessidade de acompanhamento médico. Está tudo bem com a gente.”
As irmãs Raniela e Rafaela Rocha Cardoso nasceram em Goianésia (GO) unidas pelo abdômen e compartilhavam parte do fígado. Elas foram separadas por meio de uma cirurgia complexa realizada quando tinham apenas sete dias de vida, em 2002. Hoje, vivem com saúde e sem qualquer complicação decorrente do procedimento.
Dificuldades da época
A cirurgia das irmãs foi realizada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, reconhecido internacionalmente nesse tipo de procedimento. Ele conta que na época o trabalho foi desafiador porque não havia tanta tecnologia para auxiliar no procedimento, como hoje.
“Não tínhamos ressonância magnética ou tomografia de qualidade. O exame que determinou a viabilidade da cirurgia foi o ultrassom, que mostrou que o fígado era único, mas possível de separar. Naquela época, também não existia impressão 3D. Hoje, essa tecnologia nos permite planejar com precisão. Antes, era muito da experiência médica”, afirmou.
Ele lembra que a família só descobriu a condição das meninas no momento do parto. “Foi uma surpresa, porque nem a mãe sabia que elas estavam unidas. Fizemos alguns exames e fiquei preocupado com a possibilidade de piora. Então, decidimos realizar a separação com uma semana de vida. Elas tiveram uma evolução muito boa, foi surpreendente”, afirmou o médico.
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Descobriram com 7 anos
As irmãs só souberam que eram siamesas quando completaram 7 anos de idade.
A mãe arrumou uma forma simples para revelar a história para as crianças.
“Minha mãe colocou uma gravação mostrando nossa história. Ela tampou nossos nomes para que pudéssemos assistir e entender. Foi emocionante, porque até então ninguém perguntava muito e a gente também não mostrava a cicatriz.”
Caso raro
Gêmeos siameses são irmãos que nascem fisicamente ligados, podendo compartilhar órgãos ou estruturas corporais.
Em Goiás, esse tipo de tratamento é referência nacional, com índices de sobrevivência que chegam a 50%, mesmo em casos considerados de alta complexidade, informou a RVC.
Casos como o de Raniela e Rafaela são raros e envolvem alto risco. Estima-se que cerca de 75% dos bebês siameses morram logo após o nascimento, e outros 15% não resistam às primeiras semanas, principalmente quando há compartilhamento de órgãos vitais, como o coração.
Motivo de orgulho
Mas Raniela e Rafael venceram e o desenvolvimento das irmãs ao longo dos anos é motivo de orgulho para o médico que as operou.
“Ver essas crianças hoje adultas, independentes e uma delas já mãe, é uma vitória”, concluiu.

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