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Justiça autoriza 4 paraplégicos a usarem medicamento experimental da UFRJ; 2 melhoraram

Rinaldo de Oliveira
08 / 01 / 2026 às 11 : 56
Luiz Fernando Mozer foi um dos pacientes paraplégicos que receberam o medicamento experimental da UFRJ, com autorização da Justiça, no ES, e teve resultados positivos - Foto: arquivo pessoal- Foto: arquivo pessoal
Luiz Fernando Mozer foi um dos pacientes paraplégicos que receberam o medicamento experimental da UFRJ, com autorização da Justiça, no ES, e teve resultados positivos - Foto: arquivo pessoal- Foto: arquivo pessoal

Subiu para 4 o número de pacientes paraplégicos que conseguiram autorização da Justiça para tomar o medicamento experimental da UFRJ, a polilaminina. Das três injeções realizadas até agora, 2 já tiveram reações positivas, a terceira aguarda resultados do procedimento feito há 1 semana.

Os dois pacientes com lesão medular completa –  com perda total de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo – apresentaram retomada de sensações e pequenos movimentos após receberem aplicações de polilaminina.

As injeções foram feitas no final do ano passado, informou a equipe científica responsável pelo desenvolvimento da substância. Veja abaixo quem são os pacientes.

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Volta da sensibilidade

O 1º paciente, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, sofreu lesão medular em um acidente durante uma apresentação de motocross, no Espírito Santo. Menos de 48h após a aplicação, ele passou a relatar sensibilidade nos membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.

O 2º paciente, de 35 anos, tratado em um hospital do Rio após uma queda de moto, apresentou leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas. Ambos os procedimentos foram realizados pelo neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar.

A 3ª paciente, de 35 anos, de Governador Valadares (MG), recebeu a substância há menos de uma semana e ainda não apresentou resposta motora ou sensitiva.

Risco assumido

A equipe científica afirma que há indícios de resposta da medula ao tratamento, mas alerta para a necessidade de estudos clínicos controlados.

Os pesquisadores lembram que o uso por decisões judiciais pode expor pacientes a riscos sem o rigor científico adequado.

Mas as famílias apostam no medicamento experimental brasileiro mesmo assim.

Anvisa liberou estudos

Esta semana, a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina, proteína que se mostrou capaz de regenerar lesões na medula espinhal, e cinco pacientes vão receber a substância.

O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem.

A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Fases do estudos

Nesta fase do estudo serão pesquisados cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10. As lesões devem ter ocorrido há menos de 72 horas e os pacientes precisam ter indicação cirúrgica.

Esta etapa avalia se a substância é segura para os pacientes e vai identificar possíveis riscos potenciais da substância.

Só depois disso o estudo vai para as fases 2 e 3, para comprovar a eficácia do tratamento.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma substância de origem na placenta humana que vem sendo estudada por pesquisadores da UFRJ, sob coordenação da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.

Em estudos iniciais, o composto demonstrou potencial para estimular a regeneração da medula espinhal em casos recentes de lesão grave, como paraplegia e tetraplegia.

Luiz Fernando Mozer foi um dos pacientes que recebeu o remédio experimental da UFRJ, com autorização judicial, no Espírito Santo e teve resultados positivos - Foto: arquivo pessoal
Luiz Fernando Mozer foi um dos pacientes paraplégicos que receberam o medicamento experimental da UFRJ, com autorização da justiça, no ES e teve resultados positivos – Foto: arquivo pessoal
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