Idoso de 70 recebe dose da polilaminina; teve lesão na medula após cair do telhado

Mais um brasileiro recebeu a dose da polilaminina. É um idoso de 70 anos que caiu do telhado no último fim de semana, no Espírito Santo, e sofreu lesão completa da medula. Ele perdeu a sensibilidade e capacidade de movimento no corpo.
A polilaminina, desenvolvida na UFRJ, é um medicamento ainda em fase experimental, derivado de uma proteína da placenta humana, que ajuda a estimular a reconexão dos neurônios após lesões na medula. Uma esperança que já trouxe resultados animadores em 5 pacientes, até agora.
O senhor está internado no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória. “A polilaminina pode revolucionar a medicina. Um medicamento que vai gerar esperança”, afirmou o subsecretário de Estado de Regulação do Acesso em Saúde, Gleikson Barbosa.
Terceiro paciente no estado
O idoso é o terceiro paciente a receber o medicamento no Espírito Santo, estado escolhido para a aplicação do tratamento experimental por ser “organizado” do ponto de vista da rede de saúde, o que viabilizou a parceria com uma universidade do Rio de Janeiro e o acompanhamento técnico adequado dos casos.
Além dele, Vinícius Brito França, recebeu a polilaminina no dia 7 de janeiro e permanece internado na mesma unidade hospitalar, sob acompanhamento clínico e neurológico contínuo.
O outro paciente é Luiz Fernando Mozer, que ficou paraplégico e recebeu a aplicação da proteína no último dia 13 de dezembro, no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim. Atualmente, ele está em tratamento de reabilitação no Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes).
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Determinação judicial
Os pacientes que receberam a dose da polilaminina no Espírito Santo conseguiram o tratamento após determinações judiciais, que autorizam o uso excepcional do produto pela equipe de pesquisadores e em situações específicas, sob acompanhamento médico rigoroso, informou A Gazeta.
O secretário explicou que a substância ainda passa por testes clínicos, autorizados pela Anvisa e, por isso, a polilaminina só é utilizada em casos muito específicos, seguindo critérios rigorosos. “São pacientes com indicação clínica clara de trauma medular, que correm risco de evoluir para quadros de paraplegia ou tetraplegia”, afirmou.
Os estudos experimentais investigam o potencial da polilaminina de estimular processos de regeneração neural, especialmente em casos de lesão medular. A pesquisa científica quer comprovar a eficácia e segurança em larga escala do medicamento.
Tratamento do Espírito Santo
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, diante do avanço de pesquisas e do surgimento de terapias consideradas inovadoras para condições clínicas de alta complexidade, o Espírito Santo instituiu, por meio da Portaria Conjunta nº 58-S, o Grupo de Trabalho (GT) Intersetorial Estadual Preparatório para Incorporação de Terapias Inovadoras.
O tratamento revolucionário foi desenvolvido pela equipe científica da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, que lidera a pesquisa na UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o laboratório brasileiro Cristália.
Com o idoso citado acima, subiu para 11 o número de pacientes que já conseguiram na justiça o direito de usar o tratamento.
5 brasileiros já tiveram sucesso
Pelo menos 5 pessoas que ficaram tetraplégicas já conseguiram se mexer após o tratamento experimental brasileiro.
O 1º paciente a receber a aplicação, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, sofreu lesão medular em um acidente durante uma apresentação de motocross, no Espírito Santo. Menos de 48h após a aplicação, ele passou a relatar sensibilidade nos membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.
O 2º paciente, de 35 anos, tratado em um hospital do Rio após uma queda de moto, apresentou leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas. Ambos os procedimentos foram realizados pelo neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar.
O 3º foi Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, que voltou a andar.
O 4º foi Diogo Barros Brollo, de 35, que ficou paraplégico no Rio de Janeiro, mexeu o pé depois de usar a polilaminina,
E o 5º foi um jovem de 24 anos que sofreu acidente numa cachoeira no Espírito Santo, que conseguiu mexer os braços no último fim de semana. Reveja o vídeo divulgado pelo médico dele:
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