Cientistas brasileiros criam colágeno igual ao extraído de jumentos para salvar animais da extinção

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram uma tecnologia capaz de produzir, em laboratório, um colágeno idêntico ao extraído da pele de jumentos, sem necessidade de abate dos animais.
A solução utiliza fermentação de precisão e busca atender à demanda da indústria chinesa de saúde e beleza, especialmente ligada ao ejiao, uma gelatina tradicional feita a partir do colágeno animal.
Além de atender a um mercado em expansão, a iniciativa surge como uma alternativa concreta para reduzir a pressão sobre uma espécie que enfrenta forte risco de desaparecimento no Brasil.
Problema ambiental
O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR e chega em um momento delicado para a espécie. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do IBGE indicam que a população de jumentos no Brasil caiu 94% entre 1996 e 2024.
“De cada 100 jumentos que existiam há 30 anos, hoje restam apenas seis”, afirma Patricia Tatemoto, coordenadora da pesquisa e doutora pela USP.
O principal fator por trás dessa redução é o abate extrativista dos animais para abastecer o mercado de ejiao. O setor movimenta aproximadamente US$ 1,9 bilhão e pode dobrar de valor até 2032, segundo estimativas internacionais.
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Como o colágeno é produzido em laboratório
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros se baseia na fermentação de precisão, método já usado em outros segmentos da biotecnologia.
O processo começa com a inserção do DNA responsável pelo colágeno do jumento em uma levedura. A partir daí, o micro-organismo passa a produzir a proteína dentro de biorreatores, em um sistema semelhante ao da fabricação de cerveja.
Entre as principais vantagens estão a alta pureza do produto final e a eliminação da necessidade de criação animal, uso de pastagens ou abate. “Já avançamos nas etapas mais complexas. Agora estamos prontos para transformar a levedura em uma biofábrica”, explica Carla Molento, coordenadora do laboratório, ao Itatiaia.
Próximos passos
As etapas iniciais de bancada foram concluídas em 2025. Agora, o desafio é ampliar a produção. A equipe busca captar US$ 2 milhões para escalar o processo em biorreatores e validar a tecnologia em nível industrial.
A meta é apresentar a chamada prova de conceito, com a produção das primeiras miligramas integrais de colágeno, até dezembro de 2026. Com o investimento confirmado, a produção em escala piloto pode começar em 2027.
O modelo de negócio previsto é B2B, com a transferência da tecnologia para empresas que produzem os itens finais destinados ao mercado global.
Menor impacto ambiental
Segundo os pesquisadores, a produção em laboratório é mais eficiente do que o modelo tradicional. Em um único galpão com biorreatores, é possível produzir volumes elevados de proteína, com menor consumo de recursos e impacto ambiental reduzido.
O projeto já conta com financiamento do Ministério do Meio Ambiente e parceria com a Universidade de Wageningen, na Holanda, referência internacional em proteínas alternativas.
Na prática, a tecnologia brasileira oferece uma forma de manter um mercado ativo sem esgotar a base biológica que o sustenta. Uma solução técnica para um problema que, até pouco tempo atrás, parecia sem saída.

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