Vaca inteligente se coça com vassoura e intriga cientistas

Uma vaca austríaca super inteligente chamou a atenção de pesquisadores ao ser observada usando objetos para se coçar, algo até então não descrito de forma científica em bovinos. O comportamento foi registrado em vídeo e analisado por especialistas em comportamento animal.
O caso envolve Veronika, uma vaca da raça Swiss Brown que vive em uma pequena cidade da Áustria. Ao longo de anos, ela foi vista usando gravetos e, depois, uma escova de jardim para alcançar partes do corpo que não conseguia coçar sozinha.
O comportamento virou tema de um estudo publicado nesta semana na revista científica Current Biology e levanta novas questões sobre as capacidades cognitivas de animais de fazenda, tradicionalmente pouco observadas sob esse ponto de vista.
Vaca inteligente
Veronika vive em Nötsch im Gailtal, uma área rural no sul da Áustria, onde é tratada como animal de estimação. Segundo o relato do estudo, o uso de objetos para se coçar não foi ocasional nem fruto do acaso.
Ao analisar os vídeos, pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Viena concluíram que o comportamento era intencional. Veronika pegava os objetos com a boca, ajustava a posição e direcionava o movimento para áreas específicas do corpo.
“Ficou claro que não se tratava de um movimento aleatório”, afirmou o autor principal do estudo, Antonio J. Osuna-Mascaró, em entrevista à CNN.
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Testes controlados com escova de jardim
Para entender melhor o comportamento, a equipe realizou testes controlados. Uma escova de jardim foi colocada diante da vaca em diferentes posições, e cada interação foi registrada.
Os pesquisadores observaram qual extremidade da escova Veronika escolhia e em qual parte do corpo ela aplicava o objeto. O resultado mostrou um uso funcional da ferramenta, com escolhas adaptadas à sensibilidade da pele.
A parte com cerdas era usada para áreas com pele mais grossa, como a região superior do corpo. Já o cabo era utilizado em áreas mais sensíveis, como o úbere, com movimentos mais suaves e controlados.
Uso multifuncional
O estudo aponta que Veronika não apenas utilizava ferramentas, mas fazia isso de maneira diferenciada, dependendo da função desejada. Esse tipo de uso multifuncional é raro em registros científicos.
“Os únicos exemplos bem documentados de ferramentas com múltiplas funções vêm de chimpanzés da Bacia do Congo”, explicou Osuna-Mascaró. Ainda assim, ele destacou que, mesmo com relações espaciais mais simples, o caso da vaca é relevante.
Embora não tenha mãos ou polegares opositores, Veronika demonstrou controle preciso com a boca, ajustando a pegada conforme o movimento necessário e a área a ser alcançada.
O que isso diz sobre a inteligência dos bovinos
Para especialistas externos ao estudo, o comportamento observado atende aos critérios clássicos de uso de ferramentas. Marc Bekoff, professor emérito da Universidade do Colorado, concorda com essa avaliação.
“Ela não fabricou a escova, mas aprendeu que podia usá-la para aliviar a coceira”, afirmou. Segundo ele, a habilidade sugere que outras vacas também podem apresentar comportamentos semelhantes, desde que observadas com atenção.
O estudo reforça uma linha de pesquisa que vem, aos poucos, ampliando o entendimento sobre a cognição de animais de fazenda, frequentemente subestimada.
Olhar mais amplo
Descobertas como a de Veronika dialogam com pesquisas clássicas que mudaram a forma como humanos enxergam outros animais. Em 1960, Jane Goodall mostrou que chimpanzés fabricam ferramentas. Décadas depois, estudos com aves revelaram capacidades cognitivas complexas.
“Hoje sabemos que algumas aves realizam tarefas no nível de grandes símios”, disse Osuna-Mascaró. Para ele, ainda existe um preconceito persistente em relação aos animais explorados na produção agropecuária.
O ambiente em que Veronika vive, com espaço, interação humana e estímulos variados, pode ter favorecido o surgimento do comportamento. Ainda assim, os pesquisadores acreditam que ela não seja um caso isolado.
Próximos passos
A equipe pretende aprofundar o estudo sobre Veronika, mas também convida outras pessoas a relatarem comportamentos semelhantes observados em animais de fazenda.
“Sabemos mais sobre animais exóticos em lugares distantes do que sobre vacas com as quais convivemos diariamente”, afirmou Osuna-Mascaró.
Para os pesquisadores, o caso ajuda a ampliar o olhar sobre esses animais e sugere que, com observação mais cuidadosa, comportamentos considerados improváveis podem ser mais comuns do que se imaginava.
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