Pacientes de AVC recuperam a voz com tecnologia de IA

Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram um dispositivo vestível que pode ajudar pacientes que sofreram AVC a voltar a se comunicar com uso de inteligência artificial (IA). A tecnologia foi fundamental para reconstruir palavras e frases em tempo real, sem necessidade de implantes cerebrais.
Chamado de Revoice, o equipamento é usado no pescoço, como uma gola flexível, e capta sinais sutis do corpo, como vibrações da musculatura da garganta e batimentos cardíacos. Esses dados são processados por sistemas de IA que interpretam o que a pessoa tenta dizer, mesmo quando não consegue falar claramente.
Os primeiros testes indicam que a solução pode facilitar conversas do dia a dia e reduzir as limitações impostas por dificuldades de fala comuns após um AVC.
Conforto para o dia a dia
O Revoice foi projetado para ser confortável, lavável e discreto. Ele funciona como um sensor contínuo, captando pequenas vibrações da garganta enquanto a pessoa articula palavras de forma silenciosa ou com dificuldade.
Além disso, o dispositivo monitora sinais fisiológicos, como a frequência cardíaca. Esses dados ajudam o sistema a interpretar o estado emocional do usuário e o contexto da situação, como horário do dia ou ambiente.
A combinação dessas informações permite que a tecnologia vá além da simples transcrição de palavras isoladas, reconstruindo frases completas de forma mais natural.
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Como a inteligência artificial entra na conversa
Segundo os pesquisadores, dois agentes de IA trabalham juntos no funcionamento do Revoice. Um deles identifica palavras a partir de fragmentos de movimentos da boca e da garganta. O outro analisa o contexto e sinais emocionais para ampliar essas palavras em frases mais completas.
O sistema utiliza um modelo de linguagem de baixo consumo de energia, incorporado ao próprio dispositivo. Isso permite o funcionamento em tempo real, sem depender de grandes estruturas externas.
Em um dos testes, a expressão curta “We go hospital” foi transformada em uma frase mais detalhada, levando em conta o horário avançado e sinais de desconforto físico detectados pelos sensores.
Resultados iniciais do estudo
O estudo envolveu cinco pacientes com disartria, uma condição comum após AVC que afeta os músculos responsáveis pela fala. Também participaram dez voluntários sem alterações neurológicas.
Nos testes, o Revoice apresentou uma taxa de erro de palavras de 4,2% e de frases de 2,9%. Os participantes relataram um aumento de 55% na satisfação com a comunicação durante o uso do dispositivo.
Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications e indicam potencial para aplicação em outros quadros neurológicos, como Parkinson e doença do neurônio motor.
Um complemento à terapia tradicional
Atualmente, a maioria dos pacientes com disartria faz acompanhamento com fonoaudiólogos, com exercícios repetitivos de palavras e frases. A recuperação pode levar meses ou mais de um ano, variando de pessoa para pessoa.
O líder do estudo, o professor Luigi Occhipinti, explica que muitos pacientes conseguem repetir palavras treinadas, mas enfrentam dificuldades em conversas espontâneas. Segundo ele, há espaço para soluções que sejam mais intuitivas e portáteis, sem recorrer a procedimentos invasivos.
O Revoice surge como uma alternativa de apoio durante esse processo, oferecendo uma forma mais fluida de comunicação enquanto a recuperação acontece.
Próximos passos da pesquisa
A equipe de Cambridge planeja iniciar um estudo clínico maior com pacientes falantes de inglês ainda neste ano. A ideia é avaliar a viabilidade do sistema em situações mais próximas da rotina.
Os pesquisadores também estudam versões futuras com suporte a outros idiomas, ampliação do reconhecimento de estados emocionais e funcionamento totalmente independente para uso cotidiano.
Embora o dispositivo ainda precise passar por testes mais amplos antes de chegar ao público, os resultados iniciais apontam para uma aplicação prática em um problema que afeta metade dos pacientes que sofrem AVC.

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