Após pressão, prefeitura recua e centro comunitário do Padre Julio Lancellotti não será mais fechado

A Prefeitura de São Paulo informou que o Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, no bairro Belenzinho, Zona Leste da capital, continuará em funcionamento. O espaço, criado há 35 anos com participação do padre Julio Lancellotti, havia sido incluído em uma discussão administrativa sobre possível encerramento das atividades.
A situação passou a ser analisada também pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu um inquérito para apurar o caso e solicitou esclarecimentos da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. O órgão deu prazo de 15 dias para que a pasta apresentasse informações sobre o funcionamento do serviço.
Cinco dias depois da abertura da investigação, a prefeitura informou que o centro permanecerá ativo e que será realizado um trabalho técnico para avaliar e organizar o atendimento prestado no local, que atualmente oferece mais de 400 refeições por dia.
Centro funciona
O Núcleo de Convivência São Martinho de Lima atua há mais de três décadas no Belenzinho. O espaço oferece apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo alimentação diária e atividades de convivência.
Embora tenha sido fundado com participação do padre Julio Lancellotti, ele atualmente não possui vínculo administrativo com a gestão do equipamento. A administração é feita pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, organização que atua em parceria com a prefeitura.
Nos últimos dias, a possibilidade de encerramento das atividades gerou questionamentos de entidades sociais e levou o caso ao conhecimento do Ministério Público.
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Ministério Público abriu investigação
Na última sexta-feira (6), o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito para apurar a situação do centro.
No documento, o promotor de Justiça Ricardo Manuel Castro solicitou explicações à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social sobre o possível fechamento da unidade.
O promotor também determinou a realização de uma vistoria no local pelo Núcleo de Assessoria Técnica do Ministério Público. A medida teve como objetivo avaliar as condições do serviço e verificar o impacto de uma eventual interrupção das atividades.
Prefeitura afirma que serviço continuará
Cinco dias após a abertura do inquérito, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que o centro permanecerá funcionando.
Em nota enviada ao portal g1, a pasta afirmou que foi realizada uma reunião técnica com representantes do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Segundo a secretaria, o encontro definiu um cronograma de trabalho conjunto para aprimorar os serviços oferecidos no Núcleo São Martinho.
A secretaria informou que a continuidade das atividades permitirá a realização de um estudo técnico detalhado sobre o público atendido. O levantamento será feito por meio dos chamados Planos Individuais de Atendimento, utilizados para avaliar a situação de cada pessoa acompanhada pela rede socioassistencial.
De acordo com a pasta, o objetivo é identificar usuários que ainda não possuem vínculo com outros serviços da rede municipal e direcionar o atendimento de forma mais adequada.
Avaliação técnica do público atendido
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, parte das pessoas atendidas no local já possui cadastro ou acompanhamento em outros equipamentos da rede de assistência social.
Por isso, a prefeitura informou que o diagnóstico individualizado será importante para organizar melhor o atendimento e priorizar casos considerados mais vulneráveis.
Ainda de acordo com a nota oficial, o processo faz parte de um monitoramento contínuo da rede socioassistencial do município. A secretaria afirmou que a intenção é aprimorar o funcionamento dos serviços e manter o diálogo com as organizações parceiras que administram equipamentos sociais.
Padre comenta decisão da prefeitura
O padre Julio Lancellotti comentou a decisão de manter o funcionamento do centro.
Segundo ele, o recuo da prefeitura ocorreu após negociações administrativas entre a secretaria municipal e a entidade responsável pela gestão do espaço.
“Acho que foi um ato importante negociar em nível administrativo com a entidade e voltar atrás na decisão. Se não há vínculo com a população, não é possível fazer planos. A população de rua precisa ser ouvida”, disse.
O religioso também destacou a importância de considerar as experiências e necessidades das pessoas atendidas nos serviços de assistência social.

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