Irmão doa medula e salva vida de caçula com leucemia

Foi o amor de um jovem que salvou a vida do irmão caçula dele, que precisava de um transplante de medula, devido a um diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda tipo B.
O caso começou em agosto de 2024, em Vilhena (RO), quando surgiram os primeiros sinais da doença. O tratamento inicial incluiu quimioterapia, com resposta positiva no início. Meses depois, exames indicaram o retorno da doença, o que levou à necessidade de novas estratégias terapêuticas.
Após testes de compatibilidade sem resultado entre familiares, uma nova análise apontou o irmão como doador parcialmente compatível. O procedimento foi realizado em março de 2026, em Curitiba, com evolução considerada estável até o momento.
Diagnóstico e início do tratamento
O diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda tipo B ocorreu quando Rafael tinha dois anos. A doença afeta a produção de células sanguíneas na medula óssea, exigindo tratamento imediato.
As primeiras sessões de quimioterapia foram realizadas em Cacoal (RO). Segundo a família, exames iniciais indicaram remissão das células cancerígenas, o que permitiu a continuidade do protocolo terapêutico.
Durante esse período, houve mudanças na rotina familiar. A mãe passou a se dedicar integralmente ao acompanhamento do filho, enquanto o pai dividiu o tempo entre o trabalho e os cuidados com a criança.
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Retorno da doença e mudança de cidade
Após mais ou menos um ano e meio de tratamento, exames de rotina identificaram a volta da doença. A recidiva indicou a necessidade de considerar outras opções, incluindo o transplante de medula óssea.
Diante da limitação de recursos disponíveis na região, a família decidiu seguir para Curitiba, onde há centros especializados nesse tipo de procedimento.
Antes da mudança, parentes realizaram exames de compatibilidade genética, conhecidos como HLA. O teste é feito por meio de coleta de sangue e compara características entre doador e receptor para reduzir riscos de rejeição.
“Quando recebemos os resultados, nenhum familiar era compatível com o Rafael”, contou a mãe, Márcia Fernanda, ao G1.
Reavaliação
Já em Curitiba, a equipe médica realizou uma nova análise dos exames. O resultado indicou que o irmão mais velho, Márcio Gabriel, de 16 anos, tinha compatibilidade de 50%.
Apesar de existirem outras possibilidades identificadas, ele foi considerado o candidato mais adequado. A decisão levou em conta fatores como compatibilidade sanguínea e condições clínicas.
“Apesar da diferença de idade, os dois mantêm um vínculo de amor profundo”, disse a mãe.
Como foi o transplante
O transplante foi realizado no dia 9 de março de 2026. Pela manhã, o irmão passou pelo procedimento de coleta da medula óssea.
No mesmo dia, à tarde, Rafael recebeu as células por meio de transfusão. O processo é semelhante a uma infusão intravenosa e não exige cirurgia no receptor.
Após o transplante, começa uma fase considerada decisiva, em que o organismo precisa se adaptar às novas células. Esse período exige monitoramento constante para identificar possíveis complicações.
Recuperação e acompanhamento
Os dois irmãos apresentam boa recuperação após o procedimento. A família permanece em Curitiba para acompanhamento médico, previsto para cerca de 100 dias.
Esse período é necessário para observar a adaptação da medula transplantada e prevenir infecções ou rejeições. O acompanhamento inclui exames frequentes e cuidados específicos com a imunidade.
Segundo a mãe, o momento ainda exige atenção e cautela. “Vivemos um dia de cada vez”, afirmou.
O que é a leucemia linfoblástica aguda
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é um tipo de câncer que afeta células jovens do sangue. Essas células se multiplicam de forma descontrolada e ocupam o espaço das células saudáveis na medula óssea.
Isso pode causar anemia, infecções frequentes e alterações na coagulação. A doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em crianças.
O tratamento geralmente envolve quimioterapia em várias etapas, que podem se estender por cerca de dois anos. Em casos específicos, como recidiva ou maior risco, o transplante de medula óssea pode ser indicado.
De acordo com o hematologista Wülgner Farias, o procedimento envolve a substituição da medula doente por células saudáveis de um doador compatível. Apesar dos riscos, como rejeição e outras complicações, há possibilidade de controle da doença, especialmente com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

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