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Remédio contra colesterol reduz risco de infarto em 30%, revela estudo

Monique de Carvalho
07 / 04 / 2026 às 07 : 57
O remédio é usado para o controle do colesterol LDL e, segundo estudos, também ajudou a reduzir rriscos de infarto e outras doenças do coração - Foto: Freepik
O remédio é usado para o controle do colesterol LDL e, segundo estudos, também ajudou a reduzir rriscos de infarto e outras doenças do coração - Foto: Freepik

Um remédio usado para reduzir o colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, pode diminuir em até 31% o risco de infarto, AVC e morte por doenças cardiovasculares em pacientes com alto risco. O dado vem de um estudo clínico publicado na revista científica JAMA.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, e avaliou os efeitos do evolocumabe, um fármaco indicado para casos em que o controle do colesterol não é alcançado apenas com estatinas. O medicamento faz parte de uma classe mais recente de terapias, chamada de inibidores de PCSK9.

Os resultados chamam atenção por envolverem pacientes que ainda não tinham histórico de infarto ou AVC, mas apresentavam fatores de risco relevantes, como diabetes. Nesse grupo, a redução de eventos cardiovasculares ocorreu de forma consistente ao longo de cinco anos de acompanhamento.

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O estudo

O estudo, chamado VESALIUS-CV, incluiu milhares de participantes com alto risco cardiovascular. Muitos deles conviviam com condições associadas, como diabetes, mas ainda não tinham apresentado eventos graves, como infarto ou AVC.

Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu o evolocumabe de forma regular, enquanto o outro utilizou placebo. Todos continuaram seguindo o tratamento padrão para controle do colesterol durante o período da pesquisa.

Ao final de aproximadamente cinco anos, os pesquisadores observaram uma redução significativa nos eventos cardiovasculares entre os pacientes que utilizaram o medicamento. Na comparação com o grupo placebo, a queda no risco chegou a 31%.

Segundo os autores, os dados indicam que a intensificação do controle do colesterol pode trazer benefícios mesmo antes do surgimento de eventos mais graves.

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Como o evolocumabe atua no organismo

O evolocumabe age bloqueando a proteína PCSK9, que interfere na capacidade do fígado de remover o colesterol LDL da corrente sanguínea.

Com a ação do medicamento, o organismo passa a eliminar uma quantidade maior de colesterol. Isso reduz a formação de placas de gordura nas artérias, processo associado ao desenvolvimento de infarto e AVC.

Na prática, níveis mais baixos de LDL estão diretamente ligados a uma menor ocorrência de eventos cardiovasculares. Esse mecanismo já é conhecido, mas o estudo reforça o impacto da redução mais intensa do colesterol em perfis específicos de pacientes.

Os pesquisadores destacam que o benefício observado está alinhado com estratégias atuais de prevenção, que buscam reduzir o colesterol a níveis cada vez mais baixos em grupos de maior risco.

Doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. No Brasil, a estimativa é de cerca de 380 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Entre as condições mais comuns estão:

  • Infarto
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Insuficiência cardíaca
  • Arritmias
  • Doença arterial periférica
  • Doenças das válvulas do coração

Grande parte dessas doenças se desenvolve de forma silenciosa, ao longo de anos. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas após o surgimento de complicações.

Os sinais de alerta incluem dor ou pressão no peito, desconforto que pode irradiar para braços, pescoço ou mandíbula, além de falta de ar, tontura, fadiga, náusea e suor frio. Esses sintomas podem variar de intensidade e frequência.

Indicação ainda depende de avaliação individual

Apesar dos resultados consistentes, os autores do estudo apontam que o uso do evolocumabe deve ser avaliado caso a caso.

O medicamento costuma ser indicado quando o tratamento convencional, com estatinas, não é suficiente para controlar o colesterol. Além disso, o custo da terapia ainda é mais elevado, o que pode limitar o acesso.

Os pesquisadores ressaltam que a decisão sobre o uso deve considerar o perfil de risco de cada paciente, histórico clínico e a relação entre custo e benefício.

A análise individualizada, segundo o estudo, continua sendo parte central na escolha do tratamento mais adequado para prevenir eventos cardiovasculares.

Na comparação com o grupo placebo, a queda no risco chegou a 31%. - Foto: divulgação
Na comparação com o grupo placebo, a queda no risco chegou a 31%. – Foto: divulgação
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