Polilaminina: outro brasileiro com lesão na medula volta a mexer os pés: “de arrepiar”

Mais um paciente venceu! Um jovem de 20 anos voltou a mexer os pés após receber o tratamento experimental brasileiro com polilaminina. O procedimento foi no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, no Sul de Santa Catarina.
Cauan de Lima, de 20 anos foi um dos quatro pacientes atendidos pelo hospital desde março. Os procedimentos fazem parte de uma sequência recente de casos acompanhados pela equipe médica, ainda dentro de protocolos experimentais.
A polilaminina é uma proteína produzida em laboratório, aplicada diretamente na medula espinhal para estimular a regeneração de conexões nervosas. O tratamento criado pela doutora Tatiana Coelho Sampaio, da UFRJ, ainda está em fase de pesquisa e não é amplamente disponibilizado, dependendo de critérios específicos e autorizações para uso em pacientes.
Aplicações recentes
Desde março, o Hospital Dom Joaquim realizou quatro aplicações de polilaminina. No mesmo dia em que Cauan passou pelo procedimento, outro paciente também foi atendido: Kauan Lori Toledo de Aguiar, de 24 anos, morador de Imbituba.
Os dois têm histórico semelhante. Ambos sofreram acidentes com motocicletas e seguem em processo de reabilitação após lesões na medula. Apesar da coincidência nos nomes, os casos são acompanhados de forma independente pelas equipes médicas.
A unidade de saúde onde os procedimentos foram realizados é administrada pelo Instituto Maria Schmitt (Imas), que tem concentrado essas aplicações dentro de protocolos ainda em desenvolvimento.
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Acidente e diagnóstico
Cauan de Lima sofreu um acidente na véspera de Natal do ano passado, em Três Barras. Ele foi encontrado consciente, mas desorientado, às margens da via.
No atendimento inicial, houve estabilização da coluna cervical e imobilização para transporte. A avaliação indicou escoriações, suspeita de fratura no joelho direito e sinais de comprometimento na coluna.
Já no hospital, foi confirmado o diagnóstico de lesão medular completa. O quadro resultou em perda de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo.
Busca por alternativas de tratamento
Após passar por cirurgia de estabilização no Hospital São Vicente, em Mafra, a família iniciou a busca por outras possibilidades de tratamento. A fisioterapeuta Veridiane Nayzer, que acompanha o caso, participou desse processo.
Segundo ela, o contato com estudos sobre polilaminina começou semanas após o acidente. “Buscamos entender melhor o estudo, mas inicialmente era voltado para pacientes com até 72 horas da lesão”, explicou.
Mesmo fora desse critério, a profissional seguiu em contato com equipes e especialistas. O acesso ao procedimento aconteceu após o envio da documentação médica ao profissional responsável pela aplicação.
Primeiras respostas após a aplicação
Dias depois da aplicação, Cauan apresentou os primeiros sinais de movimentação nos pés. A resposta foi observada durante o acompanhamento fisioterapêutico.
“É de arrepiar”, disse Veridiane ao relatar o momento em que percebeu a movimentação. A fala foi usada para descrever a reação ao resultado inicial, ainda em avaliação.
O paciente segue em processo de reabilitação, com acompanhamento contínuo para observar a evolução do quadro.
O que é polilaminina e para que serve?
A polilaminina é uma substância produzida em laboratório a partir da proteína laminina, presente no corpo humano.
Ela é aplicada diretamente na medula espinhal com o objetivo de:
- Estimular a regeneração de conexões nervosas
- Auxiliar na recuperação de funções motoras
- Atuar em áreas afetadas por lesões medulares
O uso ainda é experimental e não faz parte dos tratamentos convencionais. Por isso, depende de autorização específica para cada paciente.
Outras pessoas já tiveram resultados com polilaminina?
Sim. Outro caso recente é o de Eduarda Atkinson, também do Norte de Santa Catarina.
Nove dias após a aplicação, ela publicou um vídeo mostrando a movimentação de uma das pernas.
Os casos ainda estão em acompanhamento e fazem parte de um conjunto de pacientes que receberam o tratamento em caráter experimental.
Polilaminina é um tratamento aprovado no Brasil?
Não. A polilaminina ainda está em fase de pesquisa.
O uso depende de autorização específica e não integra os protocolos padrão para tratamento de lesões medulares.
Apesar disso, os casos recentes vêm sendo monitorados por equipes médicas, dentro de estudos que avaliam a segurança e a eficácia da substância.

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