Idosa de 90 anos entra na escola e conta por que tem vergonha de ser analfabeta; vídeo

É emocionante o depoimento dessa idosa de 90 anos, que só agora está realizando o sonho de ir à escola, estudar e aprender a escrever o nome dela. Parece pouco, mas para ela significa muito.
A dona Eunice é de Araruama, no Rio de Janeiro, e conta que a maior vergonha da vida dela era ter que carimbar o dedo para poder assinar documentos. Ela não se conformava.
“O sonho era escrever pra tirar a identidade. Eu só botava o dedo, mas eu tinha uma vergonha. Ficava tudo assim sem graça”, contou no vídeo que está emocionando as redes sociais. Assista abaixo.
A chegada na escola
Quando ela chega toda tímida na turma da noite, na sala de aula do EJA, com tênis, saia e a camiseta da escola, dona Eunice abre as portar para um mundo que ela sempre sonhou em participar.
“Eu entrei pra poder fazer meu nome, eu não sabia fazer. Eu tentava aprender, mas não conseguia. Botava letra demais, botava letra de menos”, contou. Ela foi uma das milhares de crianças que precisaram trabalhar e não puderam estudar na infância.
“Eu não tive oportunidade porque naquele tempo o pessoal mais velho tinha aquela ignorância, porque as meninas não podiam estudar. Podiam trabalhar. Se fosse estudar ia escrever carta para o namorado”, disse à Secretaria de Educação de Araruama.
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Proibida de estudar
A pequena Eunice teve vida dura, no campo, desde cedo.
“Eu ia mexer com a terra, criar um cabrito, criar um frango, plantar na roça, torrava farinha”, lembrou.
Mas nunca tirou da cabeça o sonho de estudar: “A pessoa estudando sabe entrar em qualquer lugar e sair, tratar as pessoas bem, não falar ignorância com as pessoas”.
“Ficar sem estudar é tão ruim”
Olhar para as letras e não entender o que está escrito sempre foi uma frustração para a dona Eunice e ela ficava triste por isso, se sentia diminuída.
“Sem estudar, você não chega em lugar nenhum, você não vai crescer. Fica difícil que nem eu, você só vai mexer com a terra e hoje em dia não pode. A gente que fica sem estudar é tão ruim”.
E apenas a oportunidade de poder pisar numa sala de aula já significa futuro para essa idosa de 90 anos: “Eu não sei ler ainda, mas mudou muito, mesmo depois dessa idade. Eu estudando mudou muito”.
Assista ao vídeo da idosa de 90 anos que só agora entrou na escola:
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