Vendendo pastel, mãe feirante paga faculdade Medicina das 2 filhas, no Tocantins

Há quase 30 anos, essa mãe vende pastel na feira e com o dinheiro está terminando de pagar a faculdade de Medicina das filhas, em uma universidade particular de Tocantins.
O nome dessa guerreira é Marly Moreira Silvestre. Ela tem 55 anos e se orgulha de ver Fernanda, de 27 anos, e a irmã de 29, realizando o sonho delas de serem médicas. Depois da aula, as duas ajudam a mãe na feira.
“Toda vida, desde criança, elas diziam que queriam ser médicas”, contou Marly. Uma das filhas estudava medicina no Paraguai e conseguiu transferência após passar no vestibular em Palmas. A outra deixou o curso de Psicologia para seguir o mesmo sonho.
Como ela consegue?
Os clientes adoram os pasteis da Marly e a história de garra dela. Todos sabem do esforço dela para pagar as duas mensalidades integrais de medicina, que são caras.
Marly conta que corre para pagar em dia e conseguir desconto na mensalidade. E busca alternativas de financiamento para aliviar as despesas.
“Bancamos tudo com pastel até agora. Não é fácil, porque é caro. Mas Deus tem provido. Coloco o joelho no chão todos os dias para agradecer cada cliente e pedir que Ele envie mais pessoas para eu conseguir pagar as mensalidades”, disse a mãe.
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Acorda cedo
Marly acorda cedo para preparar pastéis e atender os clientes na feira da 304 Sul, em Palmas (TO). É com esse dinheiro que ela mantém a família e as filhas na faculdade.
Ela cresceu entre as feiras e desde os sete anos acompanhava os pais na venda de hortifrúti em Porto Nacional (TO). Depois de se casar, o marido ficou desempregado quando a primeira filha ainda era bebê. Foi então que ela decidiu mudar o rumo da família e foi vender pastel na feira.
“Não tinha com o que trabalhar. Eu virei e falei: ‘Quer saber? Vamos para a feira vender pastel’. Foi em agosto de 1997. Eu fui a primeira feirante a vender pastel nessa feira e continuo até hoje”, contou.
Verdadeira empreendedora
Além dos pastéis, Marly também produz massas e recheios para abastecer outras pastelarias da cidade.
Hoje, são mais de 50 sabores no cardápio de pastéis. Os mais procurados são carne com queijo e frango com guariroba.
Durante a pandemia, a empreendedora ampliou o negócio com a venda de esfihas abertas.
Filhas ajudam a mãe na feira
As duas filhas também ajudam na barraca. Depois das aulas, elas seguem direto para a feira para trabalhar ao lado da mãe.
Fernanda diz que estudar medicina é uma forma de honrar todo o esforço feito pela mãe ao longo desses anos.
“Cresci vendo minha mãe acordar de madrugada, enfrentar sol, chuva, cansaço e nunca desistir. Tenho muito orgulho de ser filha de uma feirante. Estar ao lado dela me permite enxergar o quanto esse trabalho exige dedicação, amor e o carinho com que ela trata cada cliente”, afirmou.

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