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Faculdade oferece bolsa de Direito ao pedreiro que fez a própria defesa e impressionou juízes: aceitou

Rinaldo de Oliveira
03 / 09 / 2026 às 08 : 34
O pedreiro Edilson Takahara recebeu uma bolsa para cursar Direito na FAMEC, de Manaus, após impressionar magistrados ao fazer a própria defesa na Justiça do Trabalho. – Foto: Reprodução/Fametro
O pedreiro Edilson Takahara recebeu uma bolsa para cursar Direito na FAMEC, de Manaus, após impressionar magistrados ao fazer a própria defesa na Justiça do Trabalho. – Foto: Reprodução/Fametro

O juiz disse que ele poderia “mudar de profissão” e agora isso vai virar realidade. O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, que impressionou magistrados ao fazer a própria defesa na Justiça do Trabalho, ganhou uma bolsa para cursar Direito e aceitou a oferta.

A bolsa foi oferecida pela FAMEC, em Manaus, depois que Edilson foi convidado para conversar com estudantes de Direito e contar como conseguiu estudar as leis, entender o próprio processo e chegar sozinho à tribuna do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).

A surpresa veio no fim do encontro. Edilson foi contemplado com a bolsa e não escondeu a alegria:“É um ganho importantíssimo e inesperado. É um presente, porque todo conhecimento que a gente adquire tem utilidade em um momento ou outro. Então é aproveitar mesmo”, disse.

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De convidado a futuro aluno

Edilson foi chamado pela FAMEC para conversar com os alunos justamente por causa da repercussão da história que o Só Notícia Boa mostrou na semana passada. Durante o encontro, ele contou que precisou aprender muito mais do que algumas leis para conseguir acompanhar o processo sem advogado.

Teve de entender como funcionava o Processo Judicial Eletrônico (PJe), certificado digital, token, recursos e outros procedimentos jurídicos. Chegou a comprar um computador para acompanhar o caso e uma roupa social especialmente para comparecer ao Tribunal.

E o que seria apenas uma conversa com estudantes terminou com a notícia boa da bolsa. Agora, o conhecimento que Edilson buscou sozinho, inicialmente apenas para defender os direitos dele, poderá ser aprofundado dentro de uma faculdade.

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O pedreiro que surpreendeu os juízes

A história ganhou repercussão nacional depois da sessão realizada em 17 de agosto na Segunda Turma do TRT-11, em Manaus.

Edilson foi o primeiro trabalhador a fazer uma sustentação oral diante dos desembargadores daquela turma usando o chamado jus postulandi, direito previsto na CLT que permite ao trabalhador atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.

Foram dez minutos na tribuna. Antes de começar, ele admitiu que teve medo e vergonha e contou que precisou criar coragem para estar diante dos magistrados. “Eu tive que me esforçar para vencer essa barreira de criar coragem de vir até aqui, mesmo com todo mundo dizendo: ‘Olha, não adianta, você não vai saber falar’”, disse na ocasião. Mas ele sabia exatamente do que estava falando.

Estudou para defender o próprio trabalho

Edilson precisava rebater a alegação de que teria trabalhado como autônomo em uma obra. Na sustentação, descreveu a rotina no edifício de 15 andares e questionou como um pedreiro que trabalhava do lado de fora do prédio, utilizando balancim e seguindo orientações de engenheiro e encarregado, poderia executar tudo sozinho como autônomo.

A argumentação chamou a atenção do relator, o juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo. Ao comentar o desempenho do pedreiro, o magistrado brincou que Edilson já poderia pensar em mudar de profissão e elogiou a lógica usada por ele na defesa. E ele ganhou a causa.

O Tribunal negou os recursos apresentados pelas duas partes e manteve, em essência, a sentença que reconheceu o vínculo de emprego entre setembro de 2023 e abril de 2024. A condenação foi fixada em R$ 21 mil, incluindo direitos trabalhistas como aviso-prévio, 13º salário, férias e multa.

A bolsa veio depois da repercussão

Pouco depois de o vídeo da sustentação viralizar, Edilson entrou na sala de aula da FAMEC para contar a experiência aos futuros advogados e ganhou a bolsa de estudos.

Segundo o coordenador do curso de Direito, Emer Gomes, a história chamou atenção principalmente pelo caminho percorrido pelo pedreiro para conseguir compreender o próprio processo.

A FAMEC ainda não divulgou, na publicação sobre a concessão da bolsa, detalhes como o percentual do benefício ou quando Edilson começará oficialmente as aulas.

O pedreiro Edilson Takahara aceitou a bolsa e vai estudar direito na FAMEC, de Manaus. - Foto: Reprodução/ Fametro
O pedreiro Edilson Takahara aceitou a bolsa e vai estudar direito na FAMEC, de Manaus. – Foto: Reprodução/ Fametro
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