Brasil terá 2º laboratório de terapia CAR-T contra câncer pelo SUS: o primeiro do Nordeste

O Brasil vai ganhar o segundo laboratório modular para desenvolver e produzir células CAR-T, uma terapia avançada, inovadora e promissora contra o câncer, pelo SUS. A nova estrutura será instalada no Hemoce, em Fortaleza (CE), será a primeira do tipo no Nordeste e deve ficar pronta até o início de 2027.
O tratamento será, inicialmente, para pacientes com leucemias e linfomas, principalmente aqueles que não responderam aos tratamentos convencionais ou tiveram a doença novamente. A proposta faz parte da estratégia do Ministério da Saúde e da Fiocruz para desenvolver a tecnologia no país e ampliar o acesso gratuito para a população.
O primeiro laboratório desse modelo foi instalado em maio deste ano em Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Com a chegada da segunda unidade ao Ceará, a produção poderá ser feita mais perto dos pacientes do Nordeste, reduzindo o tempo e os custos envolvidos no transporte das células.
Produção brasileira pode reduzir custo
Hoje, uma das maiores barreiras para o acesso à CAR-T é o preço. Segundo o Ministério da Saúde, uma dose comercial nos Estados Unidos custa entre US$ 350 mil e US$ 400 mil.
No Brasil, terapias comerciais disponíveis podem chegar a valores entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões por paciente, segundo dados apresentados pelo governo do Ceará. A expectativa é que a produção nacional reduza significativamente esse custo.
O modelo modular também foi pensado para ser replicado em outras regiões do país. Assim, as células podem ser coletadas, modificadas e devolvidas ao paciente mais perto de onde ele faz o tratamento.
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Como funciona a terapia CAR-T
A CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente, chamadas linfócitos T. Elas são retiradas do sangue e levadas ao laboratório, onde passam por uma modificação genética para aprender a reconhecer células do câncer.
Depois, essas células são multiplicadas e devolvidas ao organismo do paciente. Já modificadas, passam a identificar e atacar as células cancerígenas.
No projeto da Fiocruz será desenvolvida uma tecnologia chamada duoCAR-T triespecífica, preparada para reconhecer três alvos diferentes associados ao câncer ao mesmo tempo.
Primeiro laboratório do Nordeste
A nova estrutura será montada dentro do Hemoce, em Fortaleza. O projeto reúne Ministério da Saúde, Fiocruz, Secretaria da Saúde do Ceará, HU Brasil e Universidade Federal do Ceará (UFC).
Os equipamentos já foram comprados e devem chegar dos Estados Unidos. A previsão é concluir a montagem até o início de 2027. Depois disso, pacientes que atendam aos critérios da pesquisa poderão começar a participar do tratamento.
O estudo deverá acompanhar os resultados por cerca de um ano e meio. A ampliação da terapia para um número maior de pacientes dependerá dos resultados dessa etapa e dos processos necessários para incorporar a tecnologia em maior escala.
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