Descoberta pode ajudar idosos a recuperar força muscular perdida com a idade

Uma descoberta da ciência pode ajudar a recuperar a força muscular que idosos perdem nessa fase da vida e dificulta que eles façam tarefas simples como caminhar, subir escadas ou se levantar de uma cadeira.
Pesquisadores da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que parte dessa fraqueza pode estar ligada a uma falha na comunicação entre os nervos e os músculos. E, mais importante: nos testes com animais, os cientistas conseguiram melhorar essa comunicação e aumentar a força muscular em 14%.
A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Investigation e divulgada nesta semana pela universidade. Ela investiga a sarcopenia, condição associada à perda de força e massa muscular durante o envelhecimento.
Caminho para recuperar a força
Depois de identificar o problema, os cientistas tentaram descobrir se ele poderia ser revertido. Nos testes com animais idosos, eles bloquearam parcialmente uma proteína chamada ClC-1, que ajuda a controlar a resposta elétrica dos músculos. O resultado foi animador: os músculos passaram a responder melhor aos sinais enviados pelos nervos e ficaram mais fortes.
Em um dos testes com ratos idosos, a força muscular aumentou 14,4% após o uso do composto experimental. Em outro experimento, a força de preensão aumentou 11,2% após alguns dias de tratamento.
“Mostramos que essa falha é potencialmente reversível”, explicou W. David Arnold, professor da Universidade do Missouri e um dos responsáveis pela pesquisa.
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A perda da força de onde vem
Por muito tempo, a perda de força na velhice foi relacionada principalmente à diminuição da massa muscular e à perda de neurônios responsáveis por comandar os músculos. Mas o grupo liderado pelo pesquisador W. David Arnold encontrou outro problema.
Existe uma espécie de “ponto de encontro” entre o nervo e o músculo. É ali que o nervo envia a mensagem para o músculo se contrair. Nos idosos com fraqueza muscular analisados no estudo, essa comunicação estava falhando.
Os pesquisadores avaliaram pessoas com idade média de quase 86 anos e descobriram que, quanto maior a falha nessa transmissão, menor era a força muscular.
Já existe medicamento em estudo
A descoberta chama ainda mais atenção porque já existe um medicamento experimental que atua nesse mesmo mecanismo. O ignaseclant, desenvolvido pela empresa dinamarquesa NMD Pharma, bloqueia parcialmente a proteína ClC-1 e já está sendo testado em pessoas com doenças neuromusculares.
Em um estudo de fase 2a com pacientes com a doença de Charcot-Marie-Tooth, o medicamento apresentou melhora em diferentes medidas de força e função muscular, embora não tenha atingido diferença no objetivo principal do estudo, o teste de caminhada de seis minutos.
Agora, os pesquisadores querem descobrir se um tratamento desse tipo também poderá funcionar em idosos com sarcopenia.
Ainda precisa ser testado em idosos
Apesar do resultado promissor, ainda não existe um medicamento aprovado para recuperar dessa forma a força muscular perdida com o envelhecimento.
A melhora observada ao bloquear a ClC-1 foi demonstrada até agora em animais. O estudo com pessoas mostrou a falha na comunicação entre nervos e músculos, mas não testou o medicamento contra sarcopenia em idosos.
O próximo passo será justamente avançar para estudos que avaliem se esse mecanismo pode ser usado de forma segura para preservar ou recuperar a força muscular em pessoas mais velhas.
Atualmente, as principais medidas contra a sarcopenia continuam sendo exercícios, principalmente os de força, e cuidados com a alimentação.

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