Exame de sangue para 50 tipos de câncer acertou origem da doença em 91% dos casos; diz Nature

Um único exame de sangue é capaz de encontrar sinais de mais de 50 tipos de câncer no corpo humano. Um novo estudo sobre esse exame revolucionário mostra que ele acertou a origem da doença em 91,3% dos casos, informou a revista científica especializada Nature. Os resultados sobre o exame chamado de Galleri foram publicados nesta terça-feira, 22 de setembro.
O novo estudo PATHFINDER 2 acompanhou 35.878 pessoas com 50 anos ou mais nos Estados Unidos e no Canadá e, além de indicar que existe um sinal suspeito, o teste aponta em qual parte do corpo ele se originou. O teste procura no sangue alterações químicas específicas no DNA liberado pelas células e usa essas informações para identificar sinais associados ao câncer.
A pesquisa teve participação do Knight Cancer Institute, da Oregon Health & Science University (OHSU), nos Estados Unidos. O exame Galleri é desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL.
Mais cânceres encontrados
O Galleri foi desenvolvido para procurar sinais de mais de 50 tipos de câncer em uma única amostra de sangue, incluindo tumores de pâncreas, fígado e ovário.
Mas os pesquisadores queriam saber o que aconteceria ao acrescentar esse exame aos rastreamentos já recomendados, como os de câncer de mama, colo do útero, colorretal e pulmão. Segundo os resultados apresentados pelos pesquisadores, a combinação aumentou em 6,5 vezes o número de cânceres encontrados por rastreamento.
Mais da metade dos novos cânceres identificados pelo Galleri estava nos estágios 1 ou 2, quando, em muitos casos, há mais opções de tratamento. Outro ponto chamou a atenção: quase metade dos tumores encontrados pelo novo exame era de tipos para os quais hoje não existem programas de rastreamento de rotina.
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Alta especificidade
Entre os 32.007 participantes incluídos na análise de desempenho, o exame teve especificidade de 99,64%. Isso significa que foi baixa a proporção de pessoas sem câncer que receberam um resultado indicando um possível sinal da doença.
Quando o teste apontou um sinal de câncer, aproximadamente 60% desses resultados acabaram sendo confirmados após a investigação médica.
O estudo também acompanhou possíveis efeitos provocados pela investigação depois de um resultado positivo. Entre mais de 35 mil participantes avaliados quanto à segurança, 213 precisaram passar por algum procedimento invasivo, e mais de 90% desses procedimentos não foram cirúrgicos. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao estudo.
Não substitui os exames atuais
Apesar dos resultados promissores, o Galleri não é um exame que sozinho confirma ou descarta um câncer.
Um resultado positivo precisa ser investigado com exames de imagem, biópsias ou outros procedimentos indicados pelo médico. E um resultado negativo também não significa que a pessoa certamente não tenha câncer.
Por isso, os próprios pesquisadores reforçam que o teste foi pensado para complementar, e não substituir, exames já recomendados, como mamografia e rastreamento de câncer colorretal. Estudos maiores e acompanhamento por mais tempo ainda são necessários para descobrir se o uso desse tipo de exame reduz de fato as mortes por câncer.
FDA analisa o teste
E a publicação do estudo acontece justamente em um momento decisivo.
Nesta quarta-feira, 23 de setembro, um comitê de especialistas da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, se reúne para analisar o pedido de aprovação do Galleri.
O teste ainda não recebeu aprovação da FDA. O grupo vai discutir os dados de eficácia e segurança e votar se os benefícios apresentados superam os riscos. A recomendação do comitê não é definitiva, mas serve de base para a decisão posterior da agência.

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