Anvisa aprova medicamento para tratar esquistossomose em crianças a partir de 3 meses

A Anvisa aprovou um novo medicamento para esquistossomose em crianças a partir dos 3 meses de idade. O Farmanguinhos Arpraziquantel poderá ser usado no tratamento de pacientes de até 6 anos. A doença, também conhecida como xistose ou barriga d’água, é causada por um verme e pode ser contraída pelo contato com água doce contaminada, onde vivem caramujos infectados.
O registro foi aprovado nesta quarta-feira (30) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Produzido por Farmanguinhos/Fiocruz, o medicamento é indicado contra a esquistossomose causada pelos parasitas Schistosoma mansoni e Schistosoma haematobium. A doença pode não apresentar sintomas no início, mas, nos casos mais graves, pode provocar aumento do fígado e do baço, hemorragias e até levar à morte. No Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas sob risco de contrair a doença.
A nova opção é um comprimido dispersível de 150 mg, que pode ser dissolvido em água e foi desenvolvido especialmente para crianças pequenas. Até agora, o tratamento disponível no SUS era feito com praziquantel em comprimidos de 600 mg, grandes e de sabor amargo, e o protocolo brasileiro recomenda, de forma geral, que ele não seja usado em menores de 2 anos. O arpraziquantel foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna, com uma formulação mais adequada para bebês e crianças em idade pré-escolar.
Opção para crianças menores
Atualmente, o tratamento da esquistossomose no Brasil é feito principalmente com praziquantel. O medicamento é distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde para os casos indicados. O protocolo disponível no Ministério da Saúde, porém, recomenda de forma geral que o praziquantel convencional não seja utilizado em crianças menores de 2 anos.
O novo registro amplia as possibilidades de tratamento justamente nessa faixa etária, já que o arpraziquantel pode ser indicado a partir dos 3 meses. A formulação pediátrica foi desenvolvida por um consórcio internacional do qual Farmanguinhos participa. Além de ser dispersível, ela foi pensada para ser mais adequada ao uso por crianças pequenas.
Estudos clínicos do medicamento envolveram crianças em regiões onde a esquistossomose é endêmica. No Brasil, também foram realizados estudos de avaliação de eficácia e segurança em áreas da Bahia e de Sergipe.
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Como o medicamento age
O arpraziquantel atua diretamente nos vermes que causam a doença. Depois de ingerido, o princípio ativo é absorvido pelos parasitas e provoca contrações e paralisia, fazendo com que eles deixem de permanecer presos aos vasos sanguíneos.
O medicamento também danifica a camada externa que protege o verme. Com isso, o próprio organismo consegue agir contra o parasita.
A esquistossomose é adquirida pelo contato com água doce onde existem caramujos infectados. No Brasil, a doença também é conhecida como xistose, barriga d’água ou doença dos caramujos.
Registro foi aprovado pela Anvisa
A esquistossomose faz parte do grupo das doenças tropicais negligenciadas e está diretamente relacionada a condições precárias de saneamento.
A infecção pode não provocar sintomas no início, mas também pode evoluir para quadros graves. Nas formas crônicas, estão entre as possíveis complicações o aumento do fígado e do baço, hemorragias digestivas e hipertensão portal.
A aprovação da Anvisa autoriza o registro do Farmanguinhos Arpraziquantel no país. Até o momento, a agência não informou na publicação sobre o registro quando o novo medicamento estará disponível para os pacientes.

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