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Lula é tetra! Presidente é eleito pela 4ª vez e faz história com virada sobre Flávio Bolsonaro

Rinaldo de Oliveira
25 / 10 / 2026 às 21 : 00
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República do Brasil neste domingo, 25 de outubro pela quarta vez. Lula é Tetra! - Foto: Ato em Copacabana/RJ - Ricardo Stuckert
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República do Brasil neste domingo, 25 de outubro pela quarta vez. Lula é Tetra! - Foto: Ato em Copacabana/RJ - Ricardo Stuckert

Lula é tetra e fez história novamente neste domingo, 25 de outubro de 2026. Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é reeleito presidente da República do Brasil pela quarta vez, após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. A vitória marca uma virada histórica: nunca um candidato que perdeu no primeiro turno tinha conseguido virar e vencer no segundo turno. Lula conseguiu.

A informação foi adiantada pelo ICN Notícias quando a apuração chegou a 80% dos votos; Flávio já tinha parado de crescer e Lula ainda tinha votos de estados favoráveis, principalmente do Nordeste. Logo em seguida a Folha de São Paulo também divulgou o mesmo. O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será divulgado só depois que tiver 100% das urnas apuradas. Mas a virada de Lula já é fato.

O resultado representa um capítulo extraordinário na trajetória do ex-metalúrgico que saiu da pobreza no interior de Pernambuco, liderou trabalhadores durante a ditadura militar, perdeu três eleições presidenciais, foi preso e voltou ao Palácio do Planalto pelo voto popular.

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A virada depois do primeiro turno

A caminhada até a vitória não foi fácil. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença era de 2.224.965 votos.

O resultado colocou o presidente diante de um desafio: conquistar novos eleitores em apenas três semanas e reverter a vantagem do adversário. A campanha intensificou a presença nas ruas, ampliou a comunicação nas redes sociais e buscou mobilizar eleitores que não haviam votado em Lula no primeiro turno.

Nascia então o Exército do Lula nas redes sociais, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

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A revolução digital do Exército do Lula

A mobilização digital comandada por Janones foi impressionante. Ele transformou o canal de WhatsApp chamado Exército do Lula em uma rede de comunicação e engajamento com mais de 10 milhões de apoiadores.

A estratégia tinha vários pilares:: orientar os seguidores a compartilhar conteúdos favoráveis a Lula, comentar publicações, utilizar hashtags e ampliar a presença do candidato nas redes sociais para forçar o algoritmo a entender que os conteúdos deles é relevante. Deu certo. O movimento cresceu rapidamente.

Além em de Lives no Youtube, vídeos informais e a participação de artistas, influenciadores e apoiadores, o canal ajudou a levar milhões de Brasileiros para as ruas e conseguiu transformar o fantasma do “fora Lula” em “Bora Lula”, hashtag que se espalhou nas redes. E o Exército do Lula tornou-se um dos grandes símbolos da campanha presidencial de 2026.

Estudantes nas ruas e manifestações pelo Brasil

A mobilização também tomou as ruas. Estudantes, artistas, professores, trabalhadores e representantes de movimentos sociais participaram de manifestações em defesa da democracia e de pautas associadas à candidatura de Lula.

Em Brasília, estudantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios. No Rio de Janeiro, a mobilização ganhou força em Copacabana, com a participação de artistas e representantes da sociedade civil. São Paulo também foi palco de atos políticos, enquanto manifestações em outras capitais mostraram o envolvimento de diferentes setores da população na disputa eleitoral.

No Rio, nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil estiveram associados às mobilizações culturais e políticas do segundo turno. As manifestações deram visibilidade à participação popular e ajudaram a transformar as semanas anteriores à votação em um período de intensa mobilização nacional. Foi a oportunidade de defender valores como a democracia, o respeito às diferenças, a educação, a cultura e a redução das desigualdades sociais.

Do menino pobre de Pernambuco à Presidência

A história de Lula começou muito longe dos palácios de Brasília. Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, em uma família pobre. Ainda criança, migrou com a família para São Paulo em busca de melhores condições de vida.

Começou a trabalhar cedo e, aos 14 anos, ingressou em uma fábrica de parafusos. Depois, fez formação profissional no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e tornou-se torneiro mecânico. Foi trabalhando na indústria metalúrgica do ABC paulista que começou a trajetória que mudaria a vida dele e a história política brasileira.

Em 1969, entrou para a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema como suplente. Em 1972, tornou-se primeiro-secretário. Três anos depois, em 1975, foi eleito presidente do sindicato. Durante a ditadura militar, Lula ganhou projeção nacional ao liderar greves de trabalhadores que reivindicavam melhores salários, direitos e condições de trabalho.

De preso a presidente da república

As mobilizações do ABC se transformaram em um dos símbolos da resistência sindical ao regime militar.

Lula foi preso em 1980, durante a repressão às greves, e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, também em 1980.

O operário que havia começado a vida profissional ainda adolescente se tornava uma das principais lideranças políticas do Brasil.

Perdeu três eleições, venceu quatro

A trajetória eleitoral de Lula foi marcada por derrotas, persistência e vitórias históricas.

Em 1989, disputou pela primeira vez a Presidência da República, na primeira eleição direta para o cargo depois da ditadura militar. Chegou ao segundo turno, mas perdeu para Fernando Collor de Mello. Voltou a disputar em 1994 e 1998, quando foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso.

A primeira vitória veio em 2002, quando venceu José Serra e se tornou o primeiro trabalhador de origem operária a chegar à Presidência pelo voto popular. Em 2006, conquistou a reeleição, derrotando Geraldo Alckmin. Depois de dois mandatos, deixou a Presidência em 2011.

Preso na Operação Lava Jato

Em 2018, quando liderava pesquisas eleitorais, Lula foi preso e foi impedido de disputar a eleição após decisão da Justiça Eleitoral. Ele permaneceu 580 dias na prisão, em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal entendeu que o processo da Operação Lava Jato contra lula foi ocorreu em um juízo inadequado, a Justiça Federal de Curitiba, e que houve quebra de imparcialidade pelas atuações do ex-juiz Sérgio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol.

O código penal brasileiro estabelece que o Ministério Público (promotor que faz a acusação), não pode receber do juiz instruções, sugestões, pistas ou combinar a ordem de fatos e provas com ele. Se o fizer, o juiz perde a sua imparcialidade e o processo pode ser anulado por completo. Foi o que aconteceu.

O STF anulou o processo desde sua raiz e, depois de deixar a prisão, Lula recuperou os direitos políticos e em 2022 voltou às urnas e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, conquistando o terceiro mandato presidencial. Agora, em 2026, alcança o quarto triunfo nas urnas. Uma trajetória de sete disputas presidenciais, três derrotas e quatro vitórias.

Os programas sociais e o combate à fome

A trajetória de Lula na Presidência também ficou marcada por políticas públicas voltadas à redução da pobreza. Nos primeiros governos, entre 2003 e 2010, foram implantados ou ampliados programas como o Bolsa Família, o Luz para Todos e iniciativas de acesso ao ensino superior, como o ProUni.

Também houve expansão da rede federal de educação profissional e a criação de universidades federais. O combate à fome tornou-se uma das principais bandeiras políticas de Lula. Em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Depois de voltar ao governo em 2023, Lula retomou o Bolsa Família e políticas de segurança alimentar. Em 2025, a FAO anunciou novamente a saída do Brasil do Mapa da Fome. Essas políticas integram o legado social que Lula apresenta ao país, ao lado dos desafios econômicos, ambientais e sociais que continuam exigindo respostas do governo.

Uma vitória que entra para a história

Aos 80 anos, prestes a completar 81 na terça-feira, 27 de outubro, Lula escreve mais um capítulo da história política brasileira.

Para os brasileiros que celebram a vitória, o resultado representa a renovação da esperança em um país mais justo, com menos fome, mais oportunidades e com respeito à democracia.

Que os próximos quatro anos sejam de paz, diálogo, respeito às diferenças e avanços para todos os brasileiros, independentemente do candidato em quem votaram.

Parabéns ao presidente eleito e, sobretudo, ao povo brasileiro que exerceu o direito de escolher democraticamente o futuro do país.

Venceram a democracia, a esperança e o amor ao próximo.

Lula em manifestação do sergundo turno na Av. Paulista em SP. Foto: Ricardo Stuckert
Lula rumo ao Tetra, em manifestação do segundo turno na Av. Paulista em SP. Foto: Ricardo Stuckert
O deputado André Janones e o presidente Lula durante Live do Exército do Lula no Youtube. - Foto: Ricardo Sutckert
O deputado André Janones e o presidente Lula durante Live do Exército do Lula no Youtube. – Foto: Ricardo Sutckert
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