Por Big Richard
Literatura Afro-brasileira
Acabei de ler o livro do querido amigo e escritor Oswaldo Faustino, A Legião Negra. Excelente livro, recomendo a todos.
A cada capítulo, Faustino recria os valores de uma época pautada pelo patriotismo, mas também por um intenso preconceito racial. Um dos méritos do livro é mostrar que, apesar de alijados de direitos e com chances mínimas de ascensão social, milhares de negros aderiram a uma causa… estranha à sua realidade – causa que, embora justa, traria ínfimas mudanças à sua situação de excluídos. “Poucos brasileiros sabem que esses bravos batalhões existiram. Infelizmente, o protagonismo negro continua fora da história oficial”, afirma Faustino.
Por conta disso, um dos objetivos do autor foi criar uma obra acessível à juventude brasileira. De acordo com o escritor e compositor Nei Lopes, que assina o prefácio da obra, “A Legião Negra rompe com paradigmas, enganos e preconceitos, ajudando a reconstruir a história dos afrodescendentes com seriedade e dignidade”.
O autor
Oswaldo Faustino é jornalista desde 1976, além de escritor e estudioso de relações etnorraciais. Foi repórter de rádio, TV, revistas e jornais, como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, além de editor de Cultura/Variedades do Diário Popular. Escreveu a biografia de Nei Lopes, primeiro volume da Coleção Retratos do Brasil Negro (Selo Negro/Summus, 2009). É coautor, com Aroldo Macedo, desde 1999, de quatro livros infanto-juvenis, pela FTD, e um livro de entrevistas, pela Editora Gente.
É também colaborador da revista Raça Brasil. Ministra palestras e minicursos para educadores sobre formas práticas para a implementação da Lei n. 10.639/03, que institui o ensino obrigatório de História e Cultura Afro-Brasileira.
Bibliografia afrodescendente
Há algum tempo uma série de obras literárias tem conseguido destaque no mercado editorial por abordar a história dos locais e universo das populações de origem africana no Brasil. Quer seja literatura romanceada como o caso de Faustino e, do também estreante Toni C, que de forma romanceada conta parte da história do Hip Hop em São Paulo.
Narrado em terceira pessoa em uma linguagem informal e com o ritmo de um Rap, o livro cumpre a tarefa de levar a história do movimento Hip-Hop paulistano (e suas influências internacionais) ao público em geral. O texto traz elementos adicionais para quem já conhece essa cultura, mas também é um excelente “guia introdutório” para quem quer descobrir mais sobre esta cultura.
História com H maiúsculo
Ao contrário dos autores paulistanos estreantes acima citados, o baiano Luiz Cláudio Nascimento, que assina Cacau Nascimento, antropólogo, historiador e blogueiro (
www.cacaunascimento.blogspot.com.br) vem com o seu “Bitedô, onde moram os nagôs : redes de sociabilidades africanas na formação do candomblé jêje-nagô no Recôncavo baiano”, trata de uma pesquisa feita sobre as raízes do Candomblé trazidas por famílias africanas que se instalaram no Recôncavo Baiano, em meados do século XIX. Nela, a trajetória da família de Zé do Brechó e Salacó sinaliza a importância das identidades cultural e religiosa para o povo Jêje-Nagô, que se instalou no município de Cachoeira, em São Félix, na Bahia.
O professor Cacau Nascimento, mestre em história e africanidades pela UFBA, Universidade Federal da Bahia, conduz magistralmente a história do legado africano no reconcavo da Bahia, cujo, núcleo central está baseado na cidade histórica de Cachoeira.