Vírus da Aids reprogramado combate o câncer: doença sumiu em menina

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Foto: NYT
Médicos da Hospital Intantil da Filadélfia, nos Estados Unidos, usaram vírus HIV deficientes, causadores da Aids, para programar geneticamente o sistema imunológico para combater as células cancerosas, a doença desapareceu. O surpreendente resultado animou os cientistas, que já se mostram esperançosos quanto ao futuro do tratamento.
Emma Whitehead (foto), de 7 anos, sofria desde 2010 de leucemia linfoblástica, que consiste na produção de glóbulos brancos imaturos.
Não havia muitas opções pra ela.
A menina já havia sofrido duas recaídas.
Desesperados e com medo de perder a filha única, os pais decidiram apostar na experiência do Hospital da Filadélfia, que já havia tratado outros 12 pacientes com o método.
Três adultos apresentaram remissão completa. Dois, porém, apresentaram melhoras por apenas dois anos e quatro não obtiveram a remissão total.Uma criança, melhorou, mas teve uma recaída. Em dois, o tratamento não funcionou. O método, portanto, não garantia a eficácia total.
O tratamento
Células T, presentes no sistema imunológico e que têm como especialidade combater objetos invasores, foram retiradas do corpo de Emma.
Neste momento, foram reprogramadas geneticamente através de vírus desativados de HIV, que, segundo os médicos, funcionam melhor com este tipo de célula.
Elas, foram, então, reinseridas no organismo. Logo começaram a se multilpicar freneticamente, o que fortaleceu o combate às células B, que geram a produção de elementos malignos que levam à leucemia.
O vírus produz uma proteína semelhante a um anticorpo, chamada receptor quimérico de antígenos. Este elemento se junta à proteção externa das células T e é concebido para anular uma proteína chamada CD 19, que está presente nas tumorais e em algumas normais.
As células modificadas voltam ao corpo do paciente e passam, então, a exercer a função. As que não expressam o CD 19 são ignoradas, o que diminui os riscos de efeitos colaterais.
Um sinal de que o tratamento funciona são os sintomas de febre alta e calafrios frequentes.
O problema se chama Síndrome da Liberação de Citocinas e se refere aos pródutos químicos que são expelidos das células do sistema imunológico quando ativadas, o que gera os problemas e pode afetar os pulmões e causar quedas perigosas na pressão arterial. O efeito quase levou Emma à morte.
Esteróides, garantem os médicos, podem facilitar a resitência do paciente nesta fase do tratamento.
Para Emma, porém, não funcionaram. A temperatura da menina chegou a 41º C e ela precisou ficar exposta constantemente a um ventilador, inchada, inconsciente e quase irrreconhecível, cercada de familiares e amigos que foram se despedir.
O nível de uma das citocinas, a Interleucina-6, havia subido quase mil vezes na criança, o que não era esperado. O doutor Carl June, líder da equipe de pesquisa envolvida no tratamento pela Universidade da Pensilvânia, lembrou-se, então, de um remédio usado pela filha contra reumatóide. As chances eram mínimas, mas decidiu arriscar. O resultado, diz, foi “incrível”. Aos poucos, Emma começou a apresentar melhoras. Acordou uma semana depois, no dia de seu aniversário de 7 anos.
A esperança dos pesquisadores é que o novo método possa substituir o transplante de medula óssea, considerado arriscado e caro, hoje a última opção no tratamento da doença. O tratamento consegue diminuir a sobrevida em, no máximo, 30%.
Apesar dos resultados diversos nos testes, os pesquisadores afirmam que o método é promissor devido aos casos de melhoras em pacientes que não apresentavam mais esperanças de sobreviverem.
— Isso, por si, já é um grande avanço — declarou Ivan Borrello, especialista em câncer e professor de medicina na Escola de Medicina da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos.
Nos pacientes com remissão duradoura após o tratamento, verificou-se que as células T modificadas continuam a circular no sangue, embora em menor número.
— Nosso objetivo é ter uma cura, mas não podemos dizer esta palavra — diz June.
Já o doutor John Wagner, diretor de transplante de medula na Universidade da Minnesota, classificou a recuperação de Emma como “fenomenal”.
O tratamento chamou a atenção do mercado farmacêutico. Uma empresa se comprometeu a investir R$ 20 milhões em um centro de pesquisas no campo da Universidade da Pensilvânia para iniciar as pesquisas sobre o assunto.
Com informações de O Globo e The NYT.

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