Ex-moradora de rua, órfã, vira professora universitária: superação

Em um desses dias de pedinte a mãe dela morreu no meio da rua.
Mas foi por pouco tempo. Marta acabou indo para um orfanato, onde viveu até os 18 anos, sem visitas.
“Toda vez que os pais visitavam os filhos eu ficava afastada calculando o momento exato para pular no colo de algum deles e conseguir carinho.
Os meus amigos já sabiam disso e falavam: Marta não pula no colo da minha mãe não, com ciúmes”, disse ela ao G1.
Quem me visitou no orfanato, quando retornou do exército, foi o Miguel. “Eu não me lembrava dele. Quando ele contou toda essa história, eu disse que ele mentia e que eu tinha mãe. Depois disso, ele foi embora”.
Reviravolta
No orfanato ela concluiu o ensino fundamental e médio, e fez o técnico em enfermagem.
“Eu não tive as mesmas oportunidades de estudo da maioria das pessoas da faculdade. Mas via nisso o combustível para devorar livros e alcançar o nível desejado”, ressalta.
Com o curso técnico, ela conseguiu emprego e pagou a primeira faculdade.
Até hoje divido o meu tempo entre a família, o meu consultório e a sala de aula, onde sou professora universitária”, revela.
Reencontro
Marta se casou aos 26 anos e depois de tantas superações ela resolveu reencontrar quem lhe privou das ruas.
“Há oito anos localizei o Miguel”, que hoje representa o seu pai e sua família.
“No primeiro dia das crianças que passamos juntos ele me deu um envelope com um papel. Antes de abrir, pensei que fosse qualquer coisa menos a minha certidão de nascimento com o sobrenome dele.
Aos 32 anos eu passei a ser Marta Batista de Souza e descobri que tinha uma família com quatro irmãos”, conta emocionada.
Seguindo o exemplo do pai de coração, ela também deseja adotar uma criança. “Estou na lista de espera há três anos para adoção. É uma pena que tudo seja tão burocrático e demorado”, lamenta, sem pensar em desistir.
“Me tornei forte para enfrentar a vida. Da maneira que ela é. E tenho a certeza que ela é difícil para qualquer um. Não acho que sou uma heroína com essa história. Eu só tentei. E tenho certeza que existem várias dessas histórias por aí. Só falta divulgação”, finaliza Marta Batista de Souza.
Com informações do G1.

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