Mulher libertou mais de 2 mil escravos no Brasil

Foto: arquivo pessoal
Um século depois da assinatura da Lei Áurea, a escravidão ainda existe no Brasil, mas uma mulher luta contra esse abuso e já conseguiu libertar 2.354 pessoas desde 1995.
Essa brasileira é Marinalva Dantas, auditora do trabalho e uma das maiores referências do país no combate à escravidão moderna e ao trabalho infantil.
As histórias dessa mulher e dessas causas se misturam e estão contadas no livro A Dama da Liberdade, escrito pelo jornalista Klester Cavalcanti, lançado no mês passado.
Segundo levantamento apresentado no livro, os casos mais comuns de trabalho escravo estão em fazendas de pecuária (29% dos casos registrados pelo governo federal), cana-de-açúcar (25%).
Dezenove por cento estão em fazendas com outras lavouras, como algodão.
Os estados com mais casos são da Amazônia Legal: Pará (12.761 de escravos libertos desde 1995) e Mato Grosso (5.953).
O perfil desses escravos explica sua vulnerabilidade: 62% são analfabetos e 27% estudaram no máximo até a 4ª série.
História
Nascida em uma família muito pobre, em Campina Grande (PB), Marinalva passou os três primeiros anos de vida em uma casa sem luz, água encanada ou esgoto.
Devido a uma crise grave de lombriga, foi levada à casa dos tios que tinham uma condição financeira melhor e acabou sendo criada por eles, em Natal (RN).
Aos dez anos, foi visitar a família e reencontrar a mãe que já não reconhecia.
Essa visita mexeu muito com ela, como contou em entrevista ao Blog ÉPOCA AMAZÔNIA.
“Me dei conta de que era privilegiada e gostaria que todas as crianças – principalmente meus irmãos – tivessem um pouco do que eu tinha: a possibilidade de brincar e de estudar”.
A experiência foi uma das bases para que ela crescesse como uma defensora dos mais fracos – como se define.
Marinalva entrou na faculdade de direito e passou em um concurso público para auditora fiscal do trabalho, em 1984.
Pouco mais de dez anos depois, ingressaria nos primeiros grupos que saíram à caça de fazendas que mantinham trabalhadores em condições degradantes e sem direitos trabalhistas.
Com informações da Época

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