Cientistas da Europa eliminam sintomas do Alzheimer: memória

Pesquisadores franceses e portugueses descobriram como eliminar os primeiros sintomas da doença de Alzheimer.
O estudo inédito, feito em animais, foi publicado na revista científica Nature Communications.
O trabalho foi coordenado por Rodrigo Cunha, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).
Pela primeira vez os cientistas focaram o estudo na causa dos primeiros sintomas da doença, que são perturbações na memória, e acontecem por modificações na plasticidade das sinapses no hipocampo.
O hipocampo desempenha um papel essencial na memória. Funciona como um gestor do centro de informações recebidas pelo cérebro.
Das dezenas de milhões de sinais recebidos, o hipocampo tem de selecionar a informação relevante, validá-la, e atribuir a ela uma espécie de “carimbo de qualidade”. Quando ocorrem falhas, este gestor assume que toda a informação é irrelevante.
O estudo
Sabendo que as sinapses são as responsáveis pela transmissão de informação no sistema nervoso, para garantir a comunicação ente os neurônios, os cientistas rastrearam a atividade destas ligações em ratinhos com Alzheimer induzido.
A intenção foi identificar o que impede o hipocampo de processar e gerir corretamente a informação obtida.
A descoberta
Nas experiências realizadas ao longo de três anos, os cientistas descobriram que a origem do problema está no funcionamento excessivo dos receptores A2A para a adenosina (“antenas” envolvidas na comunicação cerebral).
Isso bloqueia a capacidade do hipocampo de atribuir o “carimbo de qualidade” à informação importante para a memória.
Identificada a falha, os pesquisadores produziram e administraram no ratinho um “vírus” para interferir com este receptor A2A.
Deu certo. Eles conseguiram eliminar os sintomas da doença.
“Quando o recetor A2A tem um funcionamento excessivo, o hipocampo é incapaz de separar a informação relevante da não relevante, mas bloqueia este processo e tudo volta à normalidade”, explica o coordenador do estudo num comunicado de imprensa enviado ao Boas Notícias.
Avanço
Rodrigo Cunha considera que os resultados da pesquisa representam “um avanço extraordinário para o desenvolvimento de estratégias de combate à doença de Alzheimer, uma vez que foi possível recuperar o funcionamento sináptico”.
Ele defende que o avanço da pesquisa agora depende de ensaios clínicos feitos em seres humanos.
“Do ponto de vista ético é criticável se não se prosseguir para ensaios em humanos, pois os bloqueadores dos receptores A2A são de utilização segura para os doentes, permitindo eliminar os primeiros sintomas da demência mais comum. E Coimbra tem todas as condições para avançar, embora careça de financiamento”, assevera o cientista da UC.
O estudo foi financiado pelo Prémio Mantero Belard de Neurociências da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Association Nationale de Recherche (França).
Com informações do BoasNotícias

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