Praia de Santos fica azul fluorescente: acende à noite

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Reprodução/Ilha de Vaadhoo
Reprodução/Ilha de Vaadhoo

A praia de Santos ficou iluminada por um tom azul fluorescente na água.

O  fenômeno é conhecido como bioluminescência, que ocorre quando criaturas marinhas microscópicas ficam agrupadas e agitadas.

Foram 3 dias consecutivos e muitas fotos foram postadas nas redes sociais.

Segundo o professor do curso de Biologia Marinha e de mestrado em Ecologia da Universidade Santa Cecília, João Miragaia, apesar de curioso, o fenômeno não é tão incomum assim.

“Esses organismos, chamados de plânctons, estão presentes na água do mar, embora não seja tão fácil avistá-los. No entanto, a concentração neste volume é considerada anômala. Por algum motivo, esse grupo de plânctons acabou aumentando e produzindo essa luminosidade”, explicou o biólogo.

O fenômeno também aconteceu na Ilha de Vaadhoo, Raa Atoll, Maldivas (foto da capa e abaixo) a bioluminescência tornou a ilha famosa. Tanto que ficou conhecida como “o mar das estrelas”.

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O outro lado

Uma das razões para esse aumento expressivo no número de organismos na água poderia ser o aumento da matéria orgânica na água. “Não é possível garantir isso, mas esta pode ser uma hipótese para o surgimento de tantos organismos juntos”, disse o biólogo.

Cientistas têm alertado que essa presença de modo desproporcional está relacionada com a poluição.

A proliferação acontece por conta do aumento de nitrogênio e fósforo na água e o crescimento dessas substâncias químicas, danosas a fauna marinha, é prejudicial.

Os locais de incrível beleza azul são considerados “zonas mortas” devido a baixa oxigenação na água. Assim, outras espécies marinhas não conseguem sobreviver.

Com isso toda a beleza da bioluminescência espalhada a beira mar é um fenômeno natural que sugere certo desequilíbrio ambiental, que pode servir com alerta.

Foto: Vitória Ielpe Freire/Via WhatsApp
Foto: Vitória Ielpe Freire/Via WhatsApp

A observação de Vitória faz sentido, de acordo com  relato do biólogo. Ele explica que o fenômeno ocorre quando há agitação da água.

“Embora possamos ver esses organismos, com frequência, ao esfregar o pé na areia úmida, esses pequenos pontos no mar, quando agitados e, em grande quantidade, provocam esse efeito luminoso, que só pode ser avistado no período da noite”.

Em alguns casos, a luz chega a cobrir as ondas, como ocorreu neste final de semana.

Ainda conforme o professor universitário, existe uma hipótese para a produção dessa bioluminescência. Trata-se de um mecanismo de sobrevivência para esses microorganismos. “A ideia que se supõe é que essa luz, típica da noite, pode repelir o predador. É um mecanismo de defesa destes seres vivos”.

Com informações de A Tribuna