Escola pública do agreste cria método e aprova 42 em universidades

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Divulgação/Prefeitura de Teotônio Vilela (AL)
Divulgação/Prefeitura de Teotônio Vilela (AL)

Uma escola pública do agreste de Alagoas criou um método de ensino para o Enem que se compara ao de escolas particulares, onde o ensino é voltado para os vestibulares.

O resultado foi imediato. O número de alunos aprovados em universidades públicas cresceu mais de 10 vezes: saltou de 4 em 2015 para 42 no Enem 2016.

Os aprovados conseguiram ingressar na Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Uneal (Universidade Estadual de Alagoas), na Uncisal (Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas) e UFS (Universidade Federal de Sergipe).

A Escola Estadual de Educação Básica Pedro Joaquim de Jesus, fica em Teotônio Vilela, a 100 km da capital, Maceió.

A diretora da escola, Fátima Pimentel, disse que entre os 42 estudantes aprovados estão os primeiros lugares nos cursos de engenharia civil, química e letras na Ufal, campus Arapiraca, que está a cerca de 70 km de Teotônio Vilela.

A direção do colégio afirma que dezenas de alunos também foram aprovados em vestibulares de universidades e faculdades particulares.

Como

A escola pública criou em 2016 o Filme Lab, um laboratório destinado a estudantes do 3º ano do Ensino Médio para preparação específica para o Enem.

O laboratório funciona à noite, no contraturno escolar.

A coordenadora pedagógica da escola, Ana Carolina Vasco, se submeteu ao Enem para entender melhor o processo do exame.

“É um incentivo para que os professores se atualizem e, além de pesquisar questões do Enem, prestem o exame também, se submetam ao estresse. É preciso entender o Enem para preparar o aluno”, afirmou Vasco.

Aprovados

Filha de pais analfabetos, a estudante Maria Keliane da Silva Rocha, 16, vai cursar a faculdade de letras na Ufal e conta que será a primeira pessoa da família a ter um curso superior.

Os pais dela são feirantes em Teotônio Vilela.

“Venci a barreira ao mostrar que a universidade pública é para todos. Meus pais, mesmo analfabetos, sabem da importância de estudar e me incentivaram para eu não desistir e fazer um futuro diferente do deles”, disse a adolescente ao G1.

A estudante Maria Jackeline da Silva, 19, tentava pela terceira vez usar a nota do Enem para ingressar em um curso superior em universidade pública.

Depois de participar do Filme Lab no ano passado, ela foi aprovada em fisioterapia, na Uncisal, e letras, na Ufal.

“O diferencial desta vez foi a preparação que a gente teve durante todo o ano, além das dicas dos professores do Filme Lab, essenciais nesse processo de aprendizado”, explicou a estudante.

Com 15 anos, Luiz Elias da Silva Filho concluiu o Ensino Médio e foi aprovado em primeiro lugar no curso de engenharia civil na Ufal.

Ele conta que foi estimulado pelos professores a acreditar no potencial dele para terminar o ano escolar e ainda ser aprovado na universidade.

“Não devemos desistir dos nossos sonhos e achar que não podemos realizá-los. É ter foco e dedicação nos estudos que todos conseguem, sejam pobres ou ricos”, disse

Com informações do G1