Fiocruz aumenta em 4 vezes produção de vacina contra febre amarela

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Foto: Divulgação/ Sesa
Foto: Divulgação/ Sesa

A Fiocruz corre contra o tempo para aumentar a produção de vacinas contra a febre amarela, depois da confirmação de 5 casos no Rio de Janeiro.

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz – maior fabricante de vacinas do país – opera com sua capacidade máxima e aumentou a produção de 2 para 9 milhões de doses por mês, em relação ao ano passado.

Embora a quantidade atual seja bem maior, ainda fica abaixo do necessário, caso as autoridades de saúde decidam fazer uma vacinação em massa no Rio para atingir seus 16,5 milhões de habitantes.

Para dar conta da demanda, o instituto tem um plano B: fracionar vacinas, um método adotado com sucesso em Angola, em 2015.

O país africano dividiu uma dose em 5 partes, para poder imunizar um número maior de doentes.

“Não temos registro de nenhum caso de febre amarela urbana. Mas, se isso acontecer, a solução, a curto prazo, seria fracionar a vacina, como foi feito em Angola. Aliás, este projeto foi desenvolvido na Bio-Manguinhos”, disse ao OGlobo Artur Roberto Couto, diretor da Bio-Manguinhos.

Ações

A Bio-Manguinhos suspendeu uma entrega de 14 milhões de doses para a ONU, para dar conta da demanda interna

Também interrompeu momentaneamente a fabricação da tríplice viral e deslocou os funcionários para o setor voltado para a febre amarela.

“Entregamos um milhão de doses na sexta-feira, quase 700 mil doses na última segunda-feira e outras 670 mil doses na quarta-feira. Até o fim de março, serão distribuídas mais três milhões de doses. Estamos trabalhando com a nossa capacidade máxima”, informou o diretor.

Planos

Até novembro, a Fiocruz fechará um acordo com um laboratório privado para produzir, em São Paulo, cerca de 13 milhões de doses por ano.

A fundação também pretende concluir, em três anos, as obras do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), em Santa Cruz para produzir até 300 milhões de doses anuais.

Alerta

Pelo menos 188 municípios brasileiros tiveram febre amarela este ano.

De dezembro de 2016 até 17 de março deste ano, o Ministério da Saúde recebeu 1.561 notificações de casos suspeitos de febre amarela no Brasil. Destes, 448 foram confirmados, 850 são investigados e 263 foram descartados.

  • Em Minas Gerais, o número de casos chega a 379
  • O Espírito Santo tem 93
  • São Paulo, 4

O boletim informa que taxa de letalidade da doença é de 32,1%.

Desde o início do surto, 144 pessoas morreram devido à doença no país.

Por enquanto, não há confirmação de que a febre amarela tenha chegado às áreas urbanas, onde a transmissão iria ocorrer por meio do Aedes aegypti.

Todos os casos ocorreram em áreas rurais, de mata ou silvestres, atingindo municípios do interior dos estados, de acordo com o Ministério da Saúde.

Nessas regiões, os mosquitos que transmitem a doença são o Sabethes e o Haemagogus.

Recomendação

Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que viajantes internacionais que queiram ir aos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo tomem a vacina contra a febre amarela, com exceção se forem às áreas urbanas das cidades de Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), São Paulo (SP) e Campinas (SP).

A OMS já tinha recomendado a vacinação para todo o estado do Espírito Santo e a 69 municípios do sul e sudoeste da Bahia.

A vacina já era recomendada para todo o território de Minas Gerais, antes do surto deste ano.

O Ministério da Saúde relacionou a rápida expansão da febre amarela no país a uma baixa cobertura vacinal em 2016.

Com informações de OGlobo e G1