Teatro transformador revela talento de crianças com deficiência

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Foto: reprodução / Vimeo
Foto: reprodução / Vimeo

Geovana Martins é uma adolescente de 14 anos, que tem planos de ser psicóloga e agora, também sonha com uma carreira de atriz…quem sabe, fazer novela em futuro próximo…

A ideia surgiu após integrar o Projeto “O Palco, uma experiência para a juventude”, em duas peças de teatro.

A iniciativa reuniu ao todo, 1400 crianças e adolescentes, das quais, 40 delas, tal como Geovana, têm alguma deficiência, física ou intelectual.

A garota mora em Jaçanã e não perderia esse “trem” por nada… É mais ou menos assim que a Geovana Martins, aluna do Céu Jaçanã (escola municipal), na Zona Norte de São Paulo, conta como foi sua reação quando foi convidada a participar das aulas de teatro do Polo Cultural Educação e Arte.

O Polo trabalha há quase 20 anos com projetos culturais para inclusão de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Como ela mesma diz, Geovana se atirou de cabeça.

Para a mãe, Rosângela Martins, vê-la se destacar como atriz foi  motivo de orgulho.

Para a garota, foi um estímulo a mais para seguir vencendo seus desafios, impostos por uma paralisia cerebral ao nascer.

Geovana é cadeirante e, apesar das limitações físicas, sempre foi muito comunicativa.

“E aqui ela está se adaptando mais e interage com crianças sem deficiência”, conta a mãe.

“Foi o primeiro ano dela no projeto que a entusiasmou muito, pela ideia de fazer teatro. Vejo que minha filha está se desenvolvendo mais e para mim é um orgulho vê-la se superar no palco. Ela fez duas peças, Arca de Noé, encenando um anjo, e a outra de Natal”, celebra a mãe. (vídeo abaixo)

O teatro que transforma

Raquel Rodrigues, arte-educadora, diz que as crianças com deficiência ensinam muito mais. “Elas têm muita alegria e disposição, apesar das dificuldades que cada uma apresenta”.

Para Bruna Burkert, coordenadora do projeto, o teatro é transformador para a formação das crianças.

“Quando elas sobem ao palco, elas se sentem vistas…” .

Andresa Retti, arte educadora, conta que uma das meninas com deficiência, quando chegou, era arredia e não queria participar…mas ao longo do ano, tudo mudou.

”Na apresentação, foi contracenar com outras 20 crianças que ela nunca vira antes”.

Glorinha Baumgart, do Instituto Center Norte, uma das patrocinadoras do projeto O PALCO,  gravou uma entrevista para a abertura do espetáculo no CEU Jaçanã.

Além de cumprimentar os artistas mirins, aproveitou para fazer um balanço.

“Meu marido era um visionário ao criar o shopping Center Norte, que já nasceu um sucesso. Então, tudo que nós, do Center Norte fazemos pela Zona Norte de São Paulo, é preservar nossa área de influência e fazendo com que todos cresçam junto conosco. Colaboramos com o Polo Cultural há quase 20 anos e vemos que a  Zona Norte avançou muito na parte cultural e intelectual nesse período, e considero  importantíssimo dar continuidade a ele”.

“Quanto às crianças com deficiência, ao final dos espetáculos, quem assistiu às apresentações não conseguia sequer identificar a limitação de cada jovem artista”, relata Eneida Soller, diretora do Polo Educação e Arte e curadora deste projeto. “A formação e a vivência do projeto O PALCO sensibiliza esta nova geração para a busca de novos caminhos. A ARTE ativa nosso ser, deslumbra, desperta o olhar, o som, questiona nossas vidas..”, pondera.

Sucesso em São Paulo e Interior paulista

O balanço do ano é que 5.000 pessoas assistiram a 15  espetáculos de dança, música e teatro, em São Paulo e mais cinco cidades do Interior paulista, resultado de um trabalho de inclusão por meio da arte, expandido além dos limites paulistanos.

O trabalho envolveu 1400 crianças, sendo que 40 delas são crianças com algum tipo de deficiência.

“Nós fazemos projetos como esse há duas décadas e sempre graças contratos com a prefeitura, ou a incentivos provenientes da Lei Rouanet por meio de instituições como o Instituto Center Norte, AES Tietê , Cless e Itaú Hipercard, que acreditaram no valor da inciativa.

Este trabalho de um ano foi realizado na Zona Norte de São Paulo e em mais cinco cidades do Interior Paulista.  Barra Bonita, Lins, Caconde, São José do Rio Pardo e Mogi Guaçu foram as cidades contempladas pelo projeto.

O Polo Cultural Educação e Arte é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), e nasceu para a  função de promover a descentralização e democratização da cultura, fecha o ano com este balanço mais do que instigante.

O projeto “O Palco, uma experiência para a juventude” ao longo de 2017, contou com as unidades públicas de ensino locais como pontos de encontro desses jovens e com o apoio das prefeituras.

“Em todas as unidades o Polo Cultural faz a adaptação de salas e estrutura para receber os alunos nas atividades artísticas e entra com uma a equipe do Polo com a metodologia. Boa vontade, adesão e um olhar especial para a formação cultural dos nossos jovens foram os motores desse sucesso” , agradece Eneida Soller, fundadora do Polo Cultural.

https://vimeo.com/240390471

Serviço

youtube.com/polocultural
facebook.com/projetoopalco
polocultural.com.br/lins
polocultural.com.br/plinio

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa –  com apoio de Sandra de Angelis