Estudantes da UnB recuperam escola pública: cidadania

Estudantes de vários cursos da Universidade de Brasília, em Planaltina de Goiás, deram um exemplo de cidadania e revitalizaram uma escola pública.
A Escola Municipal Flor do Cerrado, localizada no bairro Capão das Negas, em Planaltina de Goiás, sofreu uma verdadeira transformação. Ganhou salas limpas e arejadas, paredes com novas cores e tetos recuperados.
A finalização das reformas aconteceu este mês por meio da disciplina Construção de Projetos Sociais Multidisciplinares, vinculada ao Projeto Rondon e ministrada durante o verão pela professora Juliana Caixeta (FUP/UnB).
Estudantes de graduação de diversos cursos compuseram a disciplina, que teve como base três metas principais: “deixar um legado para a escola, promover a relação universidade-escola e provocar transformação”, explicou Juliana.
Segundo a docente, os estudantes identificaram os principais problemas e dividiram-se em grupos de trabalho para executar os mais diversos reparos.
“Cada aluno se identificou com um grupo e foi tocando seu projeto, foi planejando, executando. Tinha o grupo da limpeza, grupo da brinquedoteca, grupo dos reparos — que trabalha nessa área de conseguir os recursos materiais e humanos — e o grupo da horta’’, concluiu.
Desafios
E os desafios foram muitos. Desde telhas quebradas até a falta de forro.
Os voluntários conseguiram apoio da prefeitura e da Secretaria de Educação para a reforma de quatro salas e de uma brinquedoteca — inexistente antes do projeto.
“Colocamos forro, instalamos lâmpadas LED, varões com cortinas, tomadas duplas, revitalização dos armários, deixamos as salas funcionando e bem melhor do que estava e montamos a brinquedoteca. Fizemos a reforma dos banheiros, arrumamos os acessórios, pintamos a direção e a coordenação. Foi um esforço muito grande’’, disse Juliana, que também é coordenadora do projeto Educação e Psicologia: mediações possíveis em tempo de inclusão.
Aproximadamente 150 pessoas ajudaram na revitalização da escola, que teve início em 15 de janeiro e se estendeu até 01 de março.
Um sonho
‘’A parceria firmou desde o primeiro contato com a professora Juliana Caixeta no primeiro semestre do meu mestrado. Esse projeto da reforma solidária é a concretização de um sonho dos estudantes da disciplina de verão e dos nossos alunos’’, disse Leila Silva, professora de ciências naturais da Escola Municipal Flor do Cerrado.
Para Adriana de Sousa, estudante de ciências naturais, as principais dificuldades durante o processo de reforma foram as “questões burocráticas” para arrecadar doações.
“Havia dias em que não tinha o material, e nisso a Juliana foi excepcional, ela conseguiu voluntários não só para fazer as coisas, mas para doar, que são os colaboradores do Projeto Rondon, a comunidade e os estudantes da disciplina. Essa foi uma tarefa que diariamente estava sendo construída’’, disse a estudante, que agradeceu a oportunidade em colaborar com a escola.
“Gratidão em ajudar ao próximo, mesmo sem saber quem ele é”.
As alunas Maria Clara e Dinieny Costa, do 9° e 8° ano, também participaram como voluntárias na limpeza e pintura das salas. Para elas, a escola está bem diferente do que era há quase dois meses.
“Olhando para hoje, e o que era antes, está muito bom. Ajudei a limpar os forros, limpar as salas e fazer grafiatos. Foram muitos dias. Eu chegava cansada em casa e toda suja, mas valeu a pena”, disse Maria Clara, relembrando os dias em que contribuiu com a escola.
Com informações da FUP/UnB

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