Diagnosticada com infertilidade engravida aos 41 anos

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Fotos: SNB
Fotos: SNB

Uma advogada de 41 anos, de São Paulo, diagnosticada no ano passado com infertilidade, passa este Dia das Mães em ‘estado interessante’.

Patrícia da Silva Theodoro espera para agosto Maria Clara, a filha que está sendo aguardada de forma muito especial. Se alguém dissesse à Patrícia que ela seria mãe, provavelmente ela não acreditaria. (vídeo abaixo)

A gravidez, segundo ela, foi uma conquista de sua persistência. O diagnóstico recebido aos 38 anos era de um útero com múltiplos miomas, de todas as formas e tamanhos, interna e externamente, que impediriam cabalmente de Patrícia realizar o sonho de ser mãe.

Ela que havia postergado a decisão da maternidade para se consolidar na profissão e em um relacionamento adequado, foi surpreendida com o diagnóstico que descartava quase que por completo, a possibilidade de engravidar.

Mioma uterino

Os exames de Patrícia mostravam um quadro complexo, típico de um útero miomatoso.

“Quando vi todos os exames, especialmente a Ressonância, vi que estava diante de uma situação difícil. Era um caso delicado, de difícil solução. Analisei o caso clínico como um todo, e claro, a idade da paciente, que já tinha ouvido várias opiniões de outros colegas, também me preocupava. Tratava-se de um caso pontual!”, disse ao SóNotíciaBoa a professora Dra. Helizabet Salomão da clínica Ayroza Ribeiro, de São Paulo.

“A opção por tentar um tratamento cirúrgico minimamente invasivo foi uma tentativa única e exclusivamente para preservar a fertilidade da paciente, uma vez que seu desejo maior era a maternidade. É claro que corríamos o risco de fracassar, mas tentamos com todo o cuidado e medidas preventivas para atingir o êxito, e graças a Deus, ele veio!”, contou.

A presença de miomas no útero das mulheres é muito comum. Afeta de 20% a 30% daquelas em idade reprodutiva, com maior incidência em mulheres entre 30 e 40 anos. São neoplasias benignas, compostas de tecido muscular, encontradas no útero.

19 miomas

Patrícia sempre teve diagnósticos de miomas em seus exames de rotina.

“Os exames de ultrassom apontavam os miomas e os médicos diziam para eu fazer o controle. Interessante que nenhum deles me disse que tipo de ‘controle’ eu deveria ter. Há três anos, quando eu estava com 38 anos, fui fazer um check-up porque queria engravidar”, lembra Patrícia.

“Fui a um médico, muito atencioso, que olhou meus exames e disse que eu tinha três miomas, mas como eu disse que queria engravidar, ele decidiu pedir uma ressonância para melhor avaliação desses miomas”, contou.

O exame apontou 19 miomas, diagnóstico de útero “miomatoso”.

“Meu útero era como se fosse uma ‘lua’, com vários tipos de mioma. Eu voltei a esse médico e ao ver o resultado, ele disse que eu deveria ir a um especialista, porque não haveria o que fazer, no momento não seria hora de engravidar, porque se eu engravidasse, poderia perder o bebê”, conta.

“Outra questão que me veio à mente era ‘por que nenhum médico antes havia solicitado a ressonância?!”

O médico recomendou que Patrícia procurasse um especialista, porque não era a área de atuação dele.

O médico seguinte disse que não recomendava a cirurgia, porque seria um procedimento muito delicado e ele pretendia preservar o útero.

“Fui a uns cinco ginecologistas. Um deles disse que a cirurgia teria de ser feita nos mesmos procedimentos de uma cesárea, um corte no ventre e que ele não garantia o sucesso da operação. Segundo ele, o útero é um órgão muito vascularizado e que eu teria de assinar um termo autorizando a retirada do útero, caso ocorresse alguma intercorrência durante a cirurgia”.

Um outro profissional chegou a recomendar que Patrícia, pelo fato dela já ter 38 anos, deveria deixar a ideia de ser mãe de lado…

“Uma outra ginecologista disse que não era possível fazer uma vídeo-laparoscopia, dada a extensão dos miomas”, e eu já estava bastante abalada com tudo isso. Até que eu fui à Dra. Helizabet, que me explicou que poderia fazer a cirurgia, apesar da sua complexidade”.

“Ela me garantiu que faria tudo que estivesse ao seu alcance para vencer aqueles inúmeros miomas. Quando eu voltei da cirurgia, ela me disse que a cirurgia tinha dado muito certo, e que ela considerava um ‘milagre’. Ressaltou, inclusive, que o útero estava com todas as suas funções, pois não adiantava ter um útero que não funcionasse…”, contou Patrícia emocionada.

“A Dra. Helizabet deixou dois miomas e deixei o tempo passar. Nesse meio tempo, passei por vários outros ginecologistas para tentar uma fertilização assistida e todos disseram que, por causa da minha idade e da minha cirurgia, não seria possível engravidar”.

A surpresa

Em novembro de 2017 Patrícia descobriu, surpresa, que estava grávida, mas a idade e os miomas eram os fantasmas, aos 40 anos.

Ela venceu os prognósticos pela certeza de que poderia e será mãe, independentemente dos seus 41 anos.

“A minha gravidez está correndo muito bem e estou muito feliz. Eu gostaria de compartilhar essa história com outras mulheres que porventura estejam vivendo esse drama pelo qual eu passei. Hoje estou muito feliz, aguardando a Maria Clara nascer”.

Alerta

A Dra. Helizabet Salomão – que trabalha na Santa Casa de São Paulo e também coordena uma equipe multidisciplinar especializada na Clínica Ayroza Ribeiro, juntamente com Prof. Dr. Paulo Augusto Ayroza Galvão Ribeiro – endossa a determinação de Patrícia, mas faz um alerta:

“Precisamos encorajar as pacientes a anteciparem a busca pela maternidade, pois a idade de 38 anos é um pouco tardia para este início. Outro alerta importante é que este tipo de cirurgia à qual Patrícia foi submetida só deve ser feito por especialistas em cirurgia reprodutiva e minimamente invasiva”.

E aplaude Patrícia, reiterando: “Nunca desistam de um sonho, por mais difícil que ele possa parecer ser!”.

Assista!

Da redação do SóNoticiaBoa