Canoas inclui Libras no currículo escolar do RS: ensino bilíngue

Alunos de Canoas, no Rio Grande do Sul, terão aulas de Libras nas escolas públicas. Ensino Bilíngue para que todos possam compreender e se comunicar com colegas que não ouvem, ou não falam.
A cidade, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é a primeira do Estado a incluir aulas de Língua Brasileira de Sinais (Libras) no currículo escolar.
A boa nova, aprovada no final do ano passado pelo Conselho Municipal de Educação, começará a ser implementada na base curricular do ano que vem, nas escolas que têm alunos surdos e mudos.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Bilíngue Vitória será a instituição modelo para o currículo de Libras na cidade.
No local, são atendidos cerca de 40 alunos e as aulas são dadas em Libras e em Português. As duas disciplinas têm a mesma carga-horária de ensino, com três períodos semanais para cada conteúdo.
“A EMEF Vitória é uma escola que faz um trabalho diferenciado, é uma exceção dentro da rede pública de ensino em Canoas e no Rio Grande do Sul. A escola é um universo que respira a comunicação de sinais, pensada exclusivamente para o desenvolvimento pedagógico das crianças e adolescentes surdos”, diz a secretária da Educação de Canoas, Neka Escobar.
A EMEF Vitória é uma das instituições de ensino bilíngue no Rio Grande do Sul, ao lado da Salomão Watnick, de Porto Alegre, e da Carmem Regina Teixeira Baldino, de Pelotas, no Sul do estado.
Rede estadual
Em Canoas, na EMEF Vitória, nas séries iniciais do 1º ao 4º ano, o objetivo do currículo é tornar as crianças fluentes em Libras.
Nesta fase de ensino, os alunos aprendem elementos da cultura surda e refletem sobre as particularidades dos portadores de deficiência auditiva.
Considerada uma fase de transição, o 5º ano recebeu uma descrição à parte dentro do documento.
Na fase final do ensino fundamental, os estudantes aprofundam o conhecimento da Libras. Em um estágio mais avançado, os professores já realizam atividades de análise linguística, ensinado os alunos a identificar e saber empregar os pronomes, adjetivos e as expressões interrogativas, tanto na sinalização, como na escrita.
Os jovens também são provocados a associar as frases aos tempos verbais, assim como empregar os verbos nos trabalhos de sala de aula.
É também neste período escolar que os estudantes aprendem sobre os componentes históricos e de identidade do surdo.
Os professores exploram a construção histórica dos surdos em diferentes partes do mundo, o reconhecimento das organizações sociais que representam a comunidade surda, além da compreensão da importância da luta e das conquistas das pessoas com dificuldades auditivas.
“Quando construímos o currículo, nossa preocupação foi avançar para além do aspecto linguístico. O surdo precisa, desde cedo, se auto-reconhecer no mundo e na sociedade. E a nossa escola tem um papel fundamental neste processo de construção da identidade por meio de ensinamentos históricos, éticos e de cidadania”, avalia Lucimeri.
Salas personalizadas e tempo integral
Na EMEF Vitória, que atende aos alunos em tempo integral, todos os professores e a equipe diretiva se comunicam em Libras. Os demais funcionários são treinados para ter fluência.
As salas de aula foram personalizadas para os surdos, com espaços planejados com apelo visual chamativo, característica marcante no processo de aprendizado da Libras.
Com informações do G1
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