Glicose recupera neurônios de pacientes com ELA e surpreende cientistas

Cientistas da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriram que a glicose tem poder de melhorar a mobilidade e prolongar a vida de pessoas com ELA, Esclerose Lateral Amiotrófica – a doença que levou o físico Stephen Hawking, em março de 2018. (foto acima)
O estudo, publicado na eLife, revelou o que acontece quando os neurônios afetados pela ELA recebem mais glicose: “A regulação positiva da glicose é neuroprotetora como um mecanismo compensatório na ELA”, diz a manchete da revista.
“Uma dieta rica em açúcar melhora os defeitos locomotores e de vida útil causados pela proteinopatia TDP-43 em neurônios motores, mas não em músculos, sugerindo que a desregulação metabólica ocorre no sistema nervoso”, revela a publicação.
“O fato de descobrirmos um mecanismo compensatório me surpreendeu”, disse Daniela Zarnescu, professora de biologia molecular e celular da Universidade do Arizona e autora sênior do estudo.
“Esses neurônios degenerados e desesperados mostraram incrível resiliência. É um exemplo de como as células são surpreendentes ao lidar com o estresse ”, afirmou.
Como
“Esses neurônios encontraram algum alívio ao quebrar a glicose e obter mais energia celular”, disse o principal autor do estudo, Ernesto Manzo,
A ELA é uma doença progressiva, que destrói a capacidade dos pacientes de andar, falar e até respirar. A expectativa de vida média de um paciente com ELA a partir do momento do diagnóstico é de dois a cinco anos.
As pessoas com ELA usam mais energia enquanto descansam, em comparação com aquelas sem a doença e muitas vezes lutam para usar a glicose, ingrediente que o corpo precisa para produzir mais energia.
Os especialistas não sabem exatamente o que acontece nas células de um paciente para causar essa disfunção ou como aliviá-la.
“Este projeto foi uma maneira de analisar esses detalhes”, disse Ernesto Manzo.
Os estudos sobre o metabolismo em pacientes com ELA têm se concentrado principalmente no que acontece no corpo, não nas células, explicou Daniela Zarnescu, professora de biologia molecular e celular da UA e autora sênior do estudo.
A novidade das descobertas está no fato de que o metabolismo em pacientes com ELA permaneceu pouco compreendido, disse Daniela Zarnescu.
“É difícil estudar, em parte por causa da acessibilidade limitada ao sistema nervoso”, disse ela.
A pesquisa
Como os cientistas não conseguem arrancar os neurônios do cérebro sem causar danos irreparáveis a um paciente, os pesquisadores usaram moscas-das-frutas como modelo.
Eles descobriram que, quando aumentavam a quantidade de glicose, os neurônios motores viviam mais e se movimentavam com mais eficiência. Quando os pesquisadores retiraram a glicose dos neurônios, a larva da mosca da fruta moveu-se mais devagar.
As descobertas foram consistentes com um ensaio clínico piloto, que descobriu que uma dieta rica em carboidratos seria uma possível intervenção para pacientes com ELA, com disfunção metabólica bruta.
“Meu objetivo é convencer os médicos a realizar um ensaio clínico maior para testar essa ideia.” concluiu Daniela Zarnescu.
Com informações da Universidade do Arizona , e-Life e GNN
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