Cientistas conseguem produzir leite materno em laboratório

Leite materno produzido em laboratório. A grande novidade vem do Reino Unido e é feita à base de plantas.
Pesquisadores ingleses criaram plantas modificadas em laboratório para produzir um óleo que imita a estrutura química da gordura do leite humano, principal componente do leite materno.
A forma humana dessa molécula, o triacilglicerol, ajuda na absorção de nutrientes essenciais pelo intestino infantil, mas poucas fórmulas infantis contêm algo parecido.
Praticamente metade das calorias do leite humano provém do triacilglicerol e, nas fórmulas infantis industrializadas, essa gordura é proveniente principalmente de plantas. Só que os vegetais têm uma estrutura química diferente da gordura produzida pelo corpo da mãe.
Cálcio
Os cientistas acreditam que o arranjo único desse ácido graxo humano – as moléculas constituintes que compõem o triacilglicerol – é o responsável pelos benefícios do leite materno, incluindo a absorção de cálcio, que é vital para o desenvolvimento ósseo da criança.
“Na gordura do leite humano, os ácidos graxos saturados estão ligados ao ponto médio do ‘esqueleto’ central da molécula de triacilglicerol, dando a ela uma estrutura distinta, e evidências de vários ensaios clínicos sugerem que isso ajuda na absorção de nutrientes no intestino infantil.
No entanto, a gordura usada na maioria das fórmulas infantis é derivada de plantas, onde esses ácidos graxos saturados quase sempre se ligam às extremidades da ‘espinha dorsal’ [da molécula],” lembrou o pesquisador Peter Eastmond, da Rothamsted Research, uma organização de pesquisas sem fins lucrativos do Reino Unido.
20 vezes mais
Agora, a equipe do professor Eastmond encontrou uma maneira de modificar as vias bioquímicas das plantas para que elas possam produzir a forma humana desse nutriente essencial.
Suas plantas produziram triacilglicerol 20 vezes mais ácidos graxos saturados em comparação com a planta não modificada.
Embora o leite materno seja a melhor e primeira escolha para a nutrição infantil, a equipe espera que seu avanço possa levar a melhorias em todos os graus de fórmulas industrializadas para bebês que precisam delas.
Não há informação de quando o produto será comercializado.
Com informações do Diário da Saúde
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