Idosa entra na faculdade aos 80 anos, após cuidar de toda família

Chigusa Tsukuda, que desembarcou no Brasil com 15 anos, vinda do Japão, vai finalmente realizar o sonho de fazer uma faculdade.
A idosa, de 80 anos, passou no vestibular da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Ela foi aprovada por meio do programa “Idade Ativa”, que garante vagas no ensino superior para pessoas acima dos 50 anos.
Chigusa vai cursar licenciatura em geografia. “Vai ser minha primeira faculdade, porque quando era mais jovem tive que cuidar dos meus pais, que ficaram doentes. Eu era a mais velha dos três filhos e precisei trabalhar”, disse ao G1.
A família dela chegou no Brasil em 1954, quando o pai de Chigusa decidiu fugir dos efeitos econômicos causados pela guerra sino-japonesa, que foi de 1937 a 1945.
Por meio de um acordo entre os governos do Japão e do Brasil, a família de Tsukuda foi primeiro para Santarém, no Pará, e depois a Roraima, que na época ainda era Território Federal do Rio Branco.
“Quando chegamos aqui minha mãe teve um problema nos dentes, arrancou todos e ficou com a saúde debilitada. Depois, meu pai foi diagnosticado com câncer”.
Sonhos
Agora aprovada para o curso de geografia ela ainda sonha em cursar sistemas de informação para melhorar a operação do comércio que sua família possui no Centro de Boa Vista.
“Eu não esperava entrar e quando passei comemorei, agora vou estudar”.
Programa Idade ativa
Desde 2018, a UERR adotou o programa Idade Ativa, que abre 45 vagas por ano e dá acesso a aulas de inglês e espanhol básico, nutrição e saúde, psicologia do envelhecimento, redação e gramática, todas ministradas por voluntários.
“A ideia é que estas pessoas que estão iniciando o projeto de aposentadoria voltem à universidade para atividades acadêmicas e invistam em pesquisa ou recomecem em uma nova profissão”, contou Jussara Barbosa, psicopedagoga e coordenadora do projeto.
Vagas
O vestibular da UERR tem 23 cursos e cada um possui uma vaga reservada para pessoas que concluíram o Idade Ativa.
Neste ano, seis alunos do projeto garantiram vagas nos cursos de nível superior da UERR.
Desde que o programa iniciou em 2018, nove participantes já conseguiram ser aprovados no vestibular.
É o caso do professor de filosofia Paulo Rogério Lustosa, de 55 anos, que está se aposentando e passou para medicina.
Com a experiência de vida, tranquilidade e estabilidade que aposentadoria vai lhe proporcionar, ele pretende fazer o curso com uma visão “mais humana”, com mais cuidado.
“Agora já tenho outra cabeça, acredito que vou conseguir fazer bem o curso de medicina. Estou mais disposto a estudar, vou poder me dedicar mais a como tratar pacientes. Vejo que a formação, agora, depois dos 55 anos vai ser muito mais humanizada”, contou.
Com informações do G1
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