Inaugurada na Antártida nova base científica do Brasil

Estação brasileira na Antártida - Foto: divulgação / Estúdio 41Estação brasileira na Antártida - Foto: divulgação / Estúdio 41

Foi inaugurada nesta quarta, 15, a nova estação do Brasil na Antártica. O complexo de mais de 4,5 mil m² é entregue quase oito anos após o incêndio que destruiu a base anterior.

A base fica na Ilha do Rei George, onde pesquisadores brasileiros trabalham há mais de três décadas no continente.

A Estação Antártica Comandante Ferraz recebeu um investimento de US$ 99,6 milhões – mais de R$ 400 milhões – e vai acomodar até 64 profissionais do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

O vice-presidente Hamilton Mourão viajou ao continente gelado para participar da reinauguração como o principal representante do governo brasileiro. A cerimônia estava prevista para terça (14) mas foi adiada por causa do mau tempo.

Ele foi acompanhado pelos ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), além de representantes da Marinha e outras autoridades.

Sustentável

O novo prédio tem diversas iniciativas sustentáveis.

“A questão da sustentabilidade está muito ligada à responsabilidade de não intervir naquele espaço. Pensamos em diminuir o impacto da construção e da logística”, explicou ao G1 o arquiteto João Gabriel Rosa, do Estúdio 41, um dos responsáveis pelo projeto da estação.

Toda a estrutura usada na construção é desmontável e reciclável.

Rosa explica que todos os módulos foram feitos em contêineres fáceis de serem transportados por qualquer navio.

Os acabamentos e parte da montagem da estrutura foram feitos fora da Antártica, o que diminuiu o impacto por transporte, otimizando a logística.

Na questão energética, foram instalados painéis fotovoltaicos e geradores eólicos que produzem cerca de 30% da energia consumida na estação.

“Nos edifícios, há eficiência energética para garantir o conforto de quem estiver lá. As paredes possuem um painel de 22 centímetros que exige menos energia para manter o local aquecido”, explica Rosa.

Impacto ambiental

O projeto arquitetônico também pensou a captação da água, o tratamento de esgoto e a questão do lixo produzido pela estação.

O arquiteto João Rosa diz que a captação da água é feita em duas lagoas próximas à estação. Tanto o tratamento da água de consumo quanto a do esgoto foram planejados para gerar o menor impacto ambiental possível.

A estação também tem um plano de gerenciamento de resíduos: todo o lixo produzido é separado para a reciclagem e retorna ao Brasil.

Segurança

Construído em um local inóspito, o continente antártico, o complexo consegue suportar temperaturas negativas, nevascas e ventos de até 200 km por hora.

A estrutura ainda tem sistemas de detecção, alarme e combate a incêndios.

Os preparativos para reconstruir a estação começaram ainda em 2012, com a retirada dos escombros da antiga base.

Uma nova licitação foi aberta em 2015, e a empresa chinesa Ceiec foi escolhida para realizar as obras.

Parte da estação foi preparada na China, em módulos que só foram levados e montados após o fim do inverno.

O prédio

O prédio principal da nova estação brasileira é dividido em três grandes blocos: o Leste, o Oeste e o Técnico. Neles, se encontram a maior parte dos laboratórios, os dormitórios e os serviços básicos da estação, divididos desta forma:

Bloco Leste: é o bloco das pesquisas, de convivência e serviços. É onde se concentram os laboratórios. Dos 17 no total, 14 estão lá. Os outros 3 ficam em módulos separados. Além disso, é onde ficam os refeitórios, a cozinha, a ala de saúde, a sala de secagem e as oficinas.

Bloco Oeste: é uma área privada da base, onde moram os pesquisadores, além de concentrar as áreas de convívio. Há 32 quartos, uma biblioteca, uma academia e auditório. Nas partes mais baixas deste bloco estão os depósitos de mantimento e reservatórios de água.

Bloco Técnico: é onde fica o controle da rede elétrica, sanitária e de automação da estação. Também é onde está a garagem. Além disso, há uma estação de tratamento de água e esgoto, casa de máquinas, geradores, e sistemas de aquecimento, bem como um incinerador de lixo.

Pesquisas

Pesquisadores brasileiros estão há mais de três décadas desenvolvendo estudos no continente por meio do Programa Antártico.

Criado em 1982, o Proantar leva ao continente gelado pesquisadores que atuam nas áreas de oceanografia, biologia, glaciologia, química e meteorologia.

Os trabalhos são desenvolvidos em acampamentos, navios e estações.

A nova estação ficará no mesmo local da estrutura antiga, instalada em 1984 na Península Keller, dentro da Ilha Rei George.

Eles não ficam restritos à Ilha Rei George, onde foi instalada a estação. Há, também, trabalhos sendo desenvolvidos no navio Almirante Maximiano e em acampamentos montados em diferentes pontos da Antártica.

“São 14 milhões de km², uma das maiores reservas de gás e de água doce do mundo. 70% da água doce do mundo está aqui”, diz Câmara, que estuda a vegetação antártica.

Há, ainda, o módulo Criosfera 1, um contêiner que coleta dados e foi instalado a cerca de 2,5 mil km de onde fica a estação.

Estação brasileira na Antártida - Foto: divulgação / Estúdio 41

Estação brasileira na Antártida – Foto: divulgação / Estúdio 41

Com informações do G1

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