Adidas apoia campanha da Nike contra o racismo: “Don’t Do It”

Nike e Adidas - Fotos: reprodução / divulgação
Nike e Adidas - Fotos: reprodução / divulgação

Nike e Adidas. Duas marcas gigantes e concorrentes se uniram contra o racismo, depois da morte de George Floyd, em uma ação policial desastrosa em Minneapolis, nos EUA.

Primeiro a Nike lançou um manifesto incentivando que “todos façam parte da mudança” e trocou seu slogan “Just Do It”, (“faça”, em tradução livre) por “Don’t Do It” (“não faça”) – vídeo abaixo.

Em seguida a Adidas, em apoio, retuitou o manifesto da concorrente, que incentiva: “todos façam parte da mudança”. E a marca alemã complementou: “Juntos é como avançamos. ⁣Juntos é como fazemos mudanças”.

Na campanha postada nas redes sociais a Nike diz:

“Não faça isso. Não finja que não há um problema na América. Não vire as costas ao racismo. Não aceite que vidas inocentes sejam tiradas de nós. Não dê mais desculpas. Não ache que isso não te afeta. Não fique em silêncio. Não ache que você não pode fazer parte da mudança. Vamos fazer parte da mudança”, alerta.

O apoio

O manifesto da Nike foi criado pela agência Wieden+Kennedy, de Portland, dos EUA.

A Adidas apoiou e retuitou:

“Juntos é que vamos para frente. Juntos é como fazemos mudanças”, escreveu a conta da Adidas no Twitter, sobre o vídeo da Nike.

“A Nike tem uma longa história de posição contra intolerância, ódio e desigualdade em todas as formas”, disse uma porta-voz da Nike, em comunicado.

“Esperamos que, ao compartilhar este filme, possamos servir de catalisador para inspirar ações contra uma questão profunda em nossa sociedade e incentivar as pessoas a ajudar a moldar um futuro melhor”.

Engajamento e perseguição

Em 2016, o jogador de futebol americano Colin Kaepernick começou a se ajoelhar durante a execução do hino dos Estados Unidos, antes das partidas de futebol americano, em protesto contra o racismo, a brutalidade policial e a injustiça social.

Vários jogadores começaram a fazer o mesmo na época e o presidente Donald Trump transformou a iniciativa uma luta política, ao postar diversas mensagens no Twitter criticando os jogadores e declarando que eles deveriam ser demitidos.

Curiosamente, desde 2016 Colin Kaepernick está sem jogar e denuncia na Justiça um possível acordo entre os donos de franquias para não contratá-lo, para deixá-lo de escanteio.

Em 2018, a Nike criou uma grande polêmica ao escolher justamente o atleta Colin Kaepernick para ser uma das estrelas da campanha de 30° aniversário do slogan “Just Do It”.

Depois disso, a marca sofreu com o boicote de alguns consumidores. Após a hashtag #NikeBoycott ganhar destaque nas redes sociais, as ações da empresa chegaram a cair 4%. O valor de mercado da companhia despencou na ocasião, em uma perda de aproximadamente US$ 3,75 bilhões.

Na época, Trump comemorou a queda das ações da marca na Bolsa: “a Nike está sendo absolutamente morta com raiva e boicotes. Gostaria de saber se eles tinham alguma ideia de que seria assim”, escreveu.

Novas críticas

Na última terça, 4, o presidente norte-americano Donald Trump repetiu as críticas.

Ele chamou de “terrível mensagem” a campanha da Nike que apoia o levante do lançador Colin Kaepernick na NFL e questionou os motivos da campanha.

Um dia antes, Kaepernick havia publicado nas redes sociais a nova versão da campanha ‘Just Do It‘ da Nike.

“Acredite em algo. Mesmo se isso significar sacrificar tudo”, disse o texto na imagem, em referência ao suposto boicote que o lançador sofre das equipes da NFL.

Protestos

A morte de Floyd, um homem negro, causou uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco ajoelhado no pescoço dele.

Derek Chauvin foi preso esta semana e formalmente acusado de homicídio culposo.

Floyd foi detido após um funcionário de uma loja acusá-lo de tentar usar uma nota falsa de US$ 20. Jogado no chão, ele foi imobilizado pelo policial Derek Chauvin.

Floyd avisou aos policiais que não conseguia respirar, mas foi ignorado. Chauvin só o soltou quando ele estava desmaiado. Floyd foi levado ao hospital, mas não resistiu.

O registro da ação foi feito por testemunhas e o vídeo viralizou, causando uma onda de protestos que se espalhou com pelos EUA e outros países.

Destaque

Por todas essas histórias juntas, o apoio da Adidas à campanha da Nike ganhou uma importância diferenciada, além do marketing.

No momento em que a marca norte-americana volta a ser atacada, a concorrente alemã entra em campo.

E o retuite da campanha contra o racismo se transformou num apoio bem vindo à Nike, que não teme em ser ousada e usar sua imagem para provocar uma transformação social necessária.

Assista:

 

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Let’s all be part of the change. ⠀ ⠀ #UntilWeAllWin

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Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com informações do FinancialTimes, WallStreetJournal, Nike e Adidas