Após AVC, mãe acolhe centenas de crianças com necessidades especiais

É difícil entender como Maria das Dores conseguiu superar tantos problemas na vida e ainda ter forças para ajudar e acolher mães e crianças com algum tipo de deficiência, como aconteceu com ela.
Antes de completar 30 anos, ela teve um AVC, perdeu a memória, ficou paraplégica, teve uma filha com necessidades especiais e conseguiu forças para criar uma associação que ajuda outras mães e crianças de Roraima.
“O Anjos de Luz é tudo na minha vida. Quando você recebe a notícia de que seu filho tem uma deficiência, é difícil aceitar. Então, se vejo uma mãe correr atrás do tratamento, dando dignidade ao filho para reivindicar seus direitos, eu me sinto realizada”, disse Maria das Dores.
Iara e Eduardo, Caçadores de Bons Exemplos – parceiros do SóNotíciaBoa – conheceram de perto o trabalho que Maria das Dores faz e contaram: “é um lugar feito por uma mãe valente e corajosa, apoiada por médicas e assistentes sociais que acolhem, amparam e cuidam de outras tantas mães que sofrem sozinhas o peso de lutar pelas suas vidas e pela dignidade dos seus filhos”.
A casa de apoio, que começou na casa de Maria das Dores, cresceu e se tornou um lugar por onde passam de 30 a 40 pessoas por dia.
Lá, elas contam com comida, transporte, abrigo, tratamento, próteses e orientação.
História de resistência
Prestes a completar 30 anos, Maria das Dores teve um AVC.
Ela ficou mais de quatro meses internada, perdeu a memória, ficou paraplégica, mas não desistiu de viver.
Casada e mãe de três filhos, ela voltou pra casa, retomou a rotina – na medida do possível – e reaprendeu a viver e a sonhar.
Contrariando prognósticos médicos, Maria das Dores conseguiu engravidar mais uma vez. Mas, por ser gravidez de risco, foi aconselhada pelos médicos a abortar.
Ela não aceitou e fugiu do hospital para ter o bebê, que nasceu prematuro.
Começava ali uma nova fase na vida dela: ser mãe de uma criança com hidrocefalia.
“Ester chegou para reafirmar tudo que a mãe sempre viveu, para lembrar que o amor é capaz de nos levar longe e de nos dar coragem de lutar com muito mais força do que imaginamos ter”, contaram os Caçadores de Bons Exemplos.
A ideia
No corredor de um hospital, enquanto levava a filha para consultas, Maria das Dores viu uma outra criança, também com necessidades especiais, passando mal, usando sonda.
Ainda de muletas, Maria correu pelos corredores, gritou por ajuda e enquanto via o descaso de uns e a preocupação de outros, percebeu que era hora de fazer mais por aquelas mães e crianças.
Naquele dia, nascia a Associação Anjos de Luz – Associação Grupo de Mães Anjos de Luz (AGMAL) – que completou 11 anos e hoje ajuda mais de 5 mil crianças com algum tipo de deficiência em Roraima.
“Com tudo que eu passei na minha vida, entendi que a solidariedade é o amor em movimento!”, concluiu Maria das Dores.
Para ajudar e conhecer mais o trabalho da associação, ligue para 095-99122-4796.
Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com Caçadores de Bons Exemplos

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